EUA têm capacidade para se proteger de um míssil norte-coreano

Os Estados Unidos "confiam na sua capacidade" para se protegerem de um míssil balístico norte-coreano, declarou hoje o Pentágono, após declarações do líder norte-coreano, Kim Jong-Un, sobre a iminência de um novo teste de mísseis intercontinentais.

"Estamos confiantes na nossa defesa antimíssil e na nossa defesa a partir dos nossos aliados e do nosso território nacional", declarou o porta-voz do Pentágono Peter Cook em conferência de imprensa.

Kim Jong-Un afirmou no seu discurso de Ano Novo que a Coreia do Norte estava nas "últimas etapas antes do teste de um míssil balístico intercontinental".

"Mais uma vez, apelamos à Coreia do Norte para se abster de ações de provocação", disse o porta-voz do departamento de defesa norte-americano, que não quis "aventar hipóteses" sobre o que acontecerá se Pyongyang der reais provas da sua capacidade para se dotar de mísseis nucleares intercontinentais.

Em 2016, os norte-coreanos efetuaram dois testes nucleares e lançaram vários mísseis, no âmbito do seu objetivo máximo: conseguir atingir território norte-americano com uma arma com ogivas nucleares.

Os analistas dividem-se quanto à real capacidade da Coreia do Norte para produzir uma arma nuclear, precisamente porque ela nunca conseguiu ser bem-sucedida no lançamento de um míssil balístico intercontinental.

O Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumirá o cargo a 20 de janeiro, deu a entender na segunda-feira à noite que Washington impedirá a Coreia do Norte de se dotar de um tal míssil.

"A Coreia do Norte acaba de dizer que está nas últimas fases do desenvolvimento de uma arma nuclear capaz de atingir o território norte-americano. Isso não vai acontecer!", escreveu Trump num dos seus já habituais 'tweets' noturnos.

Os esforços de Pyongyang para produzir mísseis balísticos nucleares com capacidade para atingir os Estados Unidos ou os seus aliados levaram Washington a reforçar os seus meios de defesa antimíssil na região.

Tal defesa assenta nomeadamente no sistema AEGIS, em radares muito poderosos TPY-2, e em baterias antimísseis THAAD, que os Estados Unidos se preparam para enviar para a Coreia do Sul, para desespero da China, aliada de Pyongyang.

O porta-voz escusou-se a dizer se o Pentágono preparou cenários de ações militares preventivas para impedir a Coreia do Norte de obter mísseis nucleares.

"Estamos constantemente a ajustar-nos à ameaça que a Coreia do Norte representa", explicou simplesmente.

Pyongyang "mostra desprezo pelos seus compromissos internacionais, e nós estamos a acompanhar isso de muito, muito perto", afiançou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.