EUA: só 54 crianças migrantes vão ser entregues aos pais antes do fim do prazo legal

Juiz deu até ao final desta terça-feira para todos os menores de 5 anos serem entregues aos pais, dos quais foram separados após entrarem ilegalmente nos EUA. Mas autoridades dizem que não será possível.

O governo norte-americano não vai conseguir cumprir a ordem judicial de reunir até ao final do dia desta terça-feira todas as crianças migrantes com menos de 5 anos que tinham sido separadas dos pais na fronteira entre os EUA e o México, revelou uma advogada do Departamento de Justiça. Das cerca de 100 crianças nestas condições, só 54 vão ser entregues aos pais dentro do prazo.

O juiz Dana Sabraw, de San Diego, ordenou no mês passado ao governo norte-americano que reunisse as cerca de 100 crianças com menos de 5 anos até esta terça-feira. As restantes, num total de mais de dois mil, têm que ser reunidas com os pais até 26 de julho.

Sarah Fabian, advogada no Departamento de Justiça, disse que 54 crianças com menos de 5 anos vão ser reunidas com os pais até ao final do dia de terça-feira. O número pode aumentar, dependendo das verificações de segurança.

Os outros pais foram deportados, não passaram nas verificações de segurança, não conseguiram provar que eram os pais das crianças ou tinham sido libertados e os agentes dos serviços de imigração não os conseguiram contactar, segundo Fabian.

Tolerância zero

As crianças foram separadas dos pais ao abrigo da política de "tolerância zero" do presidente dos EUA, Donald Trump, que defendia a acusação e detenção de todos os migrantes apanhados a cruzar ilegalmente a fronteira. As separações começaram em meados de abril até ao mês passado, depois de as críticas terem obrigado Trump a suspender a sua política.

"É perturbador que haja crianças e pais que não estão em nenhum sistema de rastreamento do governo", disse um advogado da União Americana das Liberdades Civis, Lee Gelernt, que pôs a administração em tribunal. As organizações não-governamentais estão a tentar encontrar os pais que o governo não conseguiu localizar, sendo a maioria de El Salvador, Guatemala e Honduras.

Gelernt disse, contudo, que acreditava que o governo tinha dado passos "significativos" nas últimas 48 horas para unir os pais com os filhos, considerando o esforço como "um plano para avançar com a restante reunião de mais de duas mil famílias".

Fabian disse ao juiz que assim que pais e filhos estiverem novamente juntos, serão libertados. Uma decisão legal, dos anos 1990, só permite que os menores fiquem detidos em centros para adultos durante um curto período.

Gelernt disse que a União está preocupada com o facto de os pais poderem acabar nas ruas sem dinheiro, com as autoridades a concordar contudo trabalhar com os advogados de imigração para garantir que estes têm pelo menos dinheiro para um hotel e outras necessidades básicas.

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Henrique Burnay

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