EUA: "Podemos nunca saber" quem forneceu bombas que matou crianças no Iémen

Pentágono enviou general à Arábia Saudita para averiguar ataque aéreo contra autocarro escolar no Iémen em que morreram dezenas de crianças

O recente ataque que atingiu um autocarro cheio de crianças no Iémen foi realizado com bombas de fabrico norte-americano mas, segundo um porta-voz dos EUA, "podemos nunca saber" quem as vendeu à coligação liderada pela Arábia Saudita.

"Podemos nunca saber se a bomba usada foi uma que os EUA venderam", disse o porta-voz do Comando Central dos EUA, major Josh Jacques (Exército), citado pelo jornal digital Vox.

Quinta-feira, na cidade de Dayhan (numa província do norte do Iémen dominada pelos rebeldes huthis), um autocarro cheio de crianças com idades entre os seis e os 11 anos foi atingido por uma bomba que matou dezenas de pessoas - entre as quais 29 crianças.

Depois de o Departamento de Estado dos EUA instar a coligação liderada pela Arábia Saudita a investigar o sucedido, o ministro da Defesa dos EUA enviou um tenente-general (três estrelas) a Riade para participar nas investigações e ver como evitar situações semelhantes no futuro.

Segundo um jornalista local, citado pela estação televisiva russa RT, os destroços encontrados no terreno onde o autocarro escolar foi atingido pertencem a uma bomba de fabrico norte-americano Raytheon Mark 82.

A CNN, por sua vez, divulgou esta segunda-feira um filme do interior do autocarro onde podem ver-se crianças contentes por irem participar na viagem de fim do ano letivo.

O vídeo, feito por um dos alunos, Osama Zeid Al Homran, mostra o início da viagem com destino a um cemitério local - que são os únicos espaços verdes no país - onde as crianças iriam passar o dia - que, horas depois, acabou em tragédia.

A guerra no Iémen tornou-se a pior crise humanitária do mundo, com a ONU a indicar que existem mais de 22 milhões de pessoas - equivalente a 75% da sua população - a necessitar de ajuda e proteção.

Segundo dados oficiais, já morreram mais de 10 mil civis neste conflito e 40 mil ficaram feridos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.