EUA incapazes de travar uma guerra com China e Rússia ao mesmo tempo

Relatório da Comissão Nacional de Estratégia e de Defesa alerta Congresso e Senado americanos para o facto de o país não estar preparado financeira ou estrategicamente para travar dois conflitos simultaneamente

A supremacia militar histórica norte-americana deteriorou-se drasticamente nos últimos anos, deixando o país incapaz de combater mais do que uma guerra ao mais tempo. Ou seja, os EUA estão sem meios para enfrentar as ameaças que hoje são a China e a Rússia num conflito em simultâneo.

O alerta é feito pela Comissão Nacional de Estratégia e de Defesa, uma agência independente, através do relatório que divulgou na quarta-feira, em que refere: "A superioridade militar dos EUA já não é garantida. As implicações para os interesses americanos e para a segurança americana são severas." Ao mesmo tempo que salienta, "os Estados Unidos enfrentam uma crise de segurança nacional."

O documento, divulgado pela NBC News, conclui que o Departamento de Defesa não está preparado financeira ou estrategicamente para travar duas guerras ao mesmo tempo, podendo perder os conflitos que venha a desenvolver contra a China ou contra a Rússia, se forem levados a cabo ao mesmo tempo. "Os serviços militares dos EUA podem sofrer baixas inaceitáveis, perdendo uma boa parte dos seus ativos num próximo conflito", refere o relatório.

Segundo avança a NBC News, os co-presidentes da comissão - Eric Edelman, que era subsecretário de defesa durante a presidência de George W. Bush, e o ex-almirante Gary Roughead, ex-chefe de operações navais que une as administrações Bush e Obama - devem testemunhar perante o Congresso e o Senado até ao final deste mês sobre a situação das Forças Armadas.

Johnny Michael, porta-voz do Departamento de Defesa, já veio referir que o documento foi lido e entendido como "um alerta para a gravidade da questão", sublinhando que "o departamento considerará cuidadosamente cada uma das recomendações apresentadas por esta Comissão para desenvolver esforços contínuos no sentido de fortalecer a defesa da nação. E esperamos trabalhar com a Comissão e com o Congresso para o fazer", afirmou.

O porta-voz do Departamento da Defesa argumentou ainda que "os Estados Unidos enfraqueceram significativamente a sua defesa devido a disfunções políticas e decisões tomadas tanto por republicanos como por democratas", citando cortes que foram feitos nos orçamentos e que resultaram em "efeitos prejudiciais quanto à modernização e prontidão dos serviços militares."

Na semana passada, o presidente Donald Trump pediu ao Departamento de Defesa para cortar em 16 mil milhões o orçamento do próximo ano, que é de 716 mil milhões. "As forças armadas dos EUA precisarão de recursos adicionais para treinar e atuar de forma mais eficiente perante as novas ameaças militares e tecnológicas como a China e a Rússia", pode ler-se no relatório.

Segundo a NBC, o documento divulgado aponta as fragilidades do Departamento de Defesa e do país, mas "não explica adequadamente como se deve chegar até ao caminho certo". O relatório identifica o espaço exterior e o ciberespaço como pontos problemáticos específicos, entre muitos outros."Os Estados Unidos estão a perder vantagem nas principais áreas de combate, como projeção de poder, defesa aérea e mísseis, operações espaciais e cibernéticas".

"Muitas das habilidades necessárias para planear e conduzir a operações militares contra adversários como a China e a Rússia atrofiaram."

O relatório termina com mais um alerta: "Os custos de não atender à crise de defesa nacional e segurança nacional da América não serão medidos em conceitos abstratos como 'estabilidade internacional' 'e' 'ordem global'. Serão medidos em vidas americanas, tesouros americanos, e a segurança e a prosperidade americanas serão perdidas. É uma tragédia de magnitude imprevisível se os Estados Unidos permitirem que os seus interesses nacionais e de segurança nacional sejam comprometidos por falta de vontade ou incapacidade. Essa tragédia será ainda mais lamentável porque está ao nosso alcance evitá-la", refere o documento.

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