EUA deportaram antigo guarda de campo de concentração nazi para a Alemanha

Passados 25 anos de ter sido descoberto, o último suspeito conhecido de ter cometido crimes do lado dos nazis durante a II Guerra Mundial foi expulso dos Estados Unidos

Um ex-guarda de um campo de concentração nazi com 95 anos que estava a viver em Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi esta terça-feira deportado para a Alemanha. O polaco Jakiv Palij perdeu a cidadania americana há 14 anos por "participar em atos contra civis judeus".

Palij foi confrontado, pela primeira vez, com o seu papel no Holocausto em 1993. Na altura, confessou que mentiu para chegar aos Estados Unidos em 1949. Apresentou-se como "deslocado", uma categoria reservada a europeus forçados a trabalhar pelo regime nazi e a prisioneiros dos campos de concentração, para ficar no país, segundo a agência Associated Press.

"Eu nunca teria recebido o meu visto de residência se tivesse dito a verdade. Toda as pessoas mentiram", terá dito Palij quando o Departamento de Justiça lhe bateu à porta da sua casa em Queens, Nova Iorque, depois de ter recebido uma denúncia de um ex-colega.

A sua presença em Queens gerou vários protestos da comunidade judaica ao longo dos anos. Em 2003, o antigo guarda nazi perdeu a nacionalidade americana por ter mentido para a receber e por "participar em atos contra civis judeus".

No entanto, Palij continua a viver na mesma casa com a sua mulher, Maria, de 86 anos, porque tanto a Alemanha, como a Polónia e a Ucrânia se recusaram a recebê-lo.

Em setembro de 2016, os 29 membros da delegação de Nova Iorque no Congresso assinaram uma petição para pedir a deportação urgente do ex-guarda. As negociações diplomáticas foram iniciadas logo e quando o presidente Donald Trump tomou posse pediu que fosse dada prioridade a este caso, mas só hoje o suspeito chegou ao aeroporto de Düsseldorf, na Alemanha. Não se sabe ainda se vai ou não ser acusado de crimes de guerra pelos alemães.

"Jakiv Palij mentiu sobre o seu passado nazi para imigrar para este país tornando-se um cidadão americano fraudulento", referiu o procurador-geral Jeff Sessions, citado pela abc News. "Hoje o departamento de Justiça ajudou a removê-lo com sucesso dos Estados Unidos como fizemos com outros 67 nazis no passado", acrescentou.

Palij trabalhou como guarda nazi no campo de concentração de Trawniki, construído pelos alemães no leste da Polónia, entre 1941 e 1943. Neste campo morreram mais de 6000 judeus. Segundo o Departamento de Justiça americano, citado pelo jornal israelita Haaretz, Palij desempenhou funções importantes em Trawniki, embora tenha negado a sua participação em crimes de guerra, quando foi interrogado.

Segundo o Haaretz, os americanos só começaram a tomar consciência de que cerca de 10 000 colaboradores nazis tinham entrado no seu país na década de 1970. Desde então, foram instaurados 137 processos contra suspeitos de crimes de guerra. Destes, 67 receberam ordem de deportação. O último caso tinha sido o do ucraniano John Demjanjuk, que foi expulso, em 2009, do Ohio por ter sido também identificado como guarda nazi.

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