"Estreleiras" e "ikurriñas" ao lado das "esteladas" em Barcelona

Alguns galegos e bascos que também procuram a independência mostram o seu apoio aos catalães.

As "estreleiras" galegas de Xosé Salvadores e de Elvira Cienfuegos e a "ikurriña" basca de Maite, Eli e Begoña faziam ontem companhia às dezenas de "esteladas" catalãs durante a ação de protesto contra a violência policial, ao meio-dia, na praça de Sant Jaume, em Barcelona. Vieram todos apoiar a Catalunha neste momento histórico, esperando um dia que todos possam ser independentes.

"Nós também queremos a independência, mas ainda estamos muito longe. Falta muito caminho por percorrer. Ver como trabalhou o povo catalão é uma lição inesquecível de dignidade e de coordenação", contou Elvira, com a "estreleira" ao pescoço. A bandeira nacionalista galega de esquerdas junta uma estrela vermelha à bandeira branca com faixa azul da Galiza.

A professora reformada disse que quis estar na Catalunha nestes dias porque sabia que ia ser um dia histórico. Em relação à violência, explica que ninguém esperava: "É lamentável." Ri-se quando lhe perguntamos se acha que a culpa é de um galego, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Mas responde séria: "A forma como está a fazer as coisas não corresponde ao líder de um governo democrático."

Na mesma praça de Barcelona, onde fica a câmara e a sede do governo catalão, está um grupo com uma bandeira vermelha com a cruz verde e a branca. "Viemos apoiar a luta dos catalães pela independência. E se isto funciona, então temos muito que aprender no País Basco", contam, lembrando que apesar de a independência da Catalunha parecer ter apagado o debate sobre o País Basco, que era mais notícia durante os tempos da luta armada da ETA, a luta continua viva. "Nós continuamos a querer a independência, mas o que acontece é que a repressão no País Basco é muito maior do que qualquer repressão que possa haver aqui", explica Begoña.

Maite, Eli e Begoña exibiam a bandeira do País Basco

Lamentando o poder de Rajoy, Maite diz que "enquanto o povo não se levantar, não sair todo para as ruas, não só os catalães ou os bascos, vai continuar a roubar e atuar de forma vergonhosa". Para Eli "a esperança é que dentro de alguns anos deixe de haver Espanha, para haver vários países independentes na península ibérica."

Enviada a Barcelona

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.