Estivadores espanhóis de Algeciras presos por ligação ao narcotráfico

Durante a operação, que teve a colaboração da polícia portuguesa e brasileira, foram detidas 21 pessoas e apreendidos 480 quilos de droga

Um grupo que integrava vários trabalhadores do porto de Algeciras, Sul de Espanha, e que supostamente operava para uma "ampla" rede de tráfico de droga foi desarticulado pelas autoridades espanholas em colaboração com a polícia portuguesa e brasileira.

Fontes policiais disseram à agência EFE que a Operação Allis Ubbo, levada a cabo pelo Grupo de Drogas de Unidade Central Operativa (UCO) da Guardia Civil neutralizou a atividade "de indivíduos que trabalhavam como estivadores, transportadores e transitários alfandegários" do porto de Algeciras, na Andaluzia.

Foram detidas 21 pessoas, 10 das quais trabalhavam nas instalações portuárias situadas na baía de Algeciras

A ação das autoridades espanholas foi possível através da troca de informações com as polícias de Portugal e do Brasil depois de terem tomado conhecimento de uma operação ilegal de compra e venda de cocaína em Madrid, e que se encontrava em curso pelos narcotraficantes.

O grupo é acusado de ajudar a introduzir estupefacientes, especialmente cocaína, através do porto de Algeciras tendo sido apreendidos nesta operação 480 quilos de cocaína.

Segundo a Direção Geral da Guardia Civil foram detidas 21 pessoas, 10 das quais trabalhavam nas instalações portuárias situadas na baía de Algeciras, frente ao território ultramarino britânico de Gibraltar e a 13 quilómetros da costa de Marrocos.

O grupo, de acordo com as investigações, introduzia e retirava do porto grandes quantidades de droga sendo que as autoridades centraram a operação no último carregamento de 480 quilos de cocaína desde o ponto de origem até à entrada em território espanhol.

Durante os meses em que se prolongaram as investigações foram detetados membros de organizações criminosas de países como a Colômbia, França, Marrocos e Holanda, o que motivou também o envolvimento da Europol

Desta forma, os agentes da UCO detetaram a existência de um grupo baseado no Campo de Gibraltar e que trabalhava com narcotraficantes de Espanha e de outros países da Europa.

A Guardia Civil refere também que alguns dos elementos do grupo de detidos operavam como intermediários que ofereciam "serviços" aos traficantes de droga que operam na costa da Andaluzia.

Durante os meses em que se prolongaram as investigações foram detetados membros de organizações criminosas de países como a Colômbia, França, Marrocos e Holanda, o que motivou também o envolvimento da Europol.

As autoridades chegaram à conclusão de que a organização dispunha de um aparelho logístico para introduzir a droga em Espanha, incluindo meios de transmissão, transportes, vigilância e um apartamento.

A situação relacionada com o narcotráfico na zona de Algeciras tem vindo a agravar-se nos últimos meses registando-se um incremento da violência dos traficantes de droga contra as forças policiais.

O procurador antidroga, José Ramón Noreña, disse em entrevista à EFE que é necessário reforçar a presença policial no Estreito de Gibraltar onde "existe um verdadeiro problema de ordem pública"

Na segunda-feira, segundo a edição de hoje do jornal espanhol Europa Sur, dois agentes da Guardia Civil que seguiam numa viatura identificada ficaram feridos ao serem atacados por narcotraficantes que projetaram um veículo contra o carro da polícia no momento em que decorria uma operação de desembarque de droga em La Línea de la Concepción, Algeciras.

No passado domingo, o procurador antidroga, José Ramón Noreña, disse em entrevista à EFE que é necessário reforçar a presença policial no Estreito de Gibraltar onde "existe um verdadeiro problema de ordem pública".

Para o procurador, a "questão das drogas" na zona de Algeciras transformou-se num problema que afeta a "paz pública" e que está a ser gerado pelos grupos de narcotraficantes que operam na zona.

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