Esqueleto encontrado com botas que resistiram 500 anos

As ossadas de um homem que terá morrido jovem foram encontradas no rio Tamisa. O calçado de couro que usava estava praticamente intacto

O esqueleto de um homem foi encontrado no rio Tamisa, em Londres, e calcula-se que tenha vivido no final do século XV ou início do século XVI. No entanto, o inédito da descoberta foi o facto de as ossadas conservarem umas botas de couro praticamente intactas 500 anos depois

A descoberta foi feita em Bermondsey, no sul de Londres, por arqueólogos que trabalham a par da construção do novo túnel de esgotos londrino. O mistério das botas altas - até à coxa - intrigou a equipa, que decidiu levar mais longe a investigação.

O couro era uma mercadoria cara no período Tudor - entre 1485 e 1603 - e é improvável que alguém fosse enterrado com um artigo tão dispendioso. Os arqueólogos acreditam que a morte não foi natural, até porque na época as margens do Tamisa eram um lugar perigoso. O esqueleto pode ser de um pescador ou até de um marinheiro.

"Ao estudarmos as botas, conseguimos obter uma visão fascinante da vida quotidiana de um homem que viveu há 500 anos", disse Beth Richardson, investigador da Mola Headland, citado pela CNN.

O que se sabe sobre o calçado ultra resistente é que tinham solas extra revestidas com musgo ou com um material semelhante. O objetivo era torná-las mais duradouras e adaptadas para terrenos difíceis, de acordo com especialistas em conservação.

A investigação das ossadas também forneceu pistas importantes para desvendar o mistério. Terá morrido com menos de 35 anos e tinha marcas profundas nos dentes, provavelmente causadas "por uma ação repetitiva, como passar corda entre os dentes", o que era um hábito comum entre os pescadores.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.