Espiar telefone do cônjuge dá prisão e multa

Medida faz parte da nova lei contra a cibercriminalidade da Arábia Saudita, que deve "proteger a moralidade dos indivíduos e da sociedade, mas também da vida privada"

Espiar o telefone do cônjuge vai ser passível de uma pena de prisão de até um ano e uma multa pesada na Arábia Saudita, anunciou hoje o Ministério da Informação do reino.

"As pessoas casadas que pretendam espiar o seu cônjuge na Arábia Saudita devem pensar duas vezes, porque essa atividade pode valer-lhes uma multa de 500 mil riyals (108 mil euros), além de uma pena de prisão de um ano", segundo o comunicado do Ministério.

Esta disposição inscreve-se na nova lei contra a cibercriminalidade, em vigor na semana passada, que deve, segundo as autoridades, "proteger a moralidade dos indivíduos e da sociedade, mas também da vida privada".

A sua adoção visou responder "a uma subida contínua de delitos cibernéticos, como a chantagem, a fraude e a difamação", acrescentou-se no texto.

Reino ultraconservador baseado numa versão rigorista do islão, a Arábia Saudita é um dos líderes na utilização por habitante de aplicações para telemóveis e redes sociais.

O reino promoveu nos últimos meses várias reformas. Último país do mundo a proibir que as mulheres conduzam, vai permitir finalmente que o façam a partir de junho.

Dezenas de sauditas foram condenados devido à antiga lei por terem colocado comentários críticos nas redes sociais, como a Twitter

No passado, a legislação saudita sobre a cibercriminalidade foi muito criticada pelas organizações internacionais de defesa dos direitos do homem.

Dezenas de sauditas foram condenados devido à antiga lei por terem colocado comentários críticos nas redes sociais, como a Twitter.

Em setembro, as autoridades tinham apelado aos cidadãos para que denunciassem as atividades que considerassem "terroristas" nas redes sociais. Estas denúncias podem ser feitas através de uma aplicação móvel denominada "Todos nós somos a segurança".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.