Espanha chega às 1000 mulheres mortas por violência doméstica

Os espanhóis registam um marco simbólico de um milhar de mulheres assassinadas desde 2003. Portugal tem registos desde 2004 e contabiliza 519 casos quando tem menos de um quarto da população de Espanha.

1000. É este o número traumático de mulheres assassinadas por violência doméstica em Espanha, desde que começaram os registos oficiais deste fenómeno, em 2003.

Os dados foram revelados esta quarta-feira pelo jornal El País, recordando que o povo espanhol foi despertado para este flagelo em 1997, quando uma mulher deu o seu testemunho na televisão relatando 40 anos de espancamentos. Duas semanas depois essa mulher, Ana Orantes, foi queimada viva pelo ex-marido.

Em Espanha, soou então o alarme para a violência doméstica e em 2003, o governo começou uma estatística que agora chegou às mil mulheres assassinadas pelos seus companheiros ou ex-companheiros. Neste período em que há registos, o maior número de mortes é na faixa etária compreendida entre os 31 e 40 anos. Mas a estatística diz que dez eram raparigas menores de idade e seis vítimas mortais tinham idade superior a 85 anos.

Ao jornal El País, a jurista Immaculada Montalbán, presidente do Observatório contra a Violência Doméstica e de Género entre 2008 e 2013, lembra que algumas sentenças explicam que o tempo por vezes excessivo que as mulheres levam até fazerem a denúncia "tem a ver com o tempo que ela precisa para tomar a difícil decisão contra uma pessoa a quem estiveram vinculadas". Assim se explica que, em média, as vítimas levam quase nove anos até fazerem a denúncia.

Portugal com mais casos, tendo em conta a menor população

Este flagelo da sociedade tem muito impacto em Portugal, onde desde 2004, altura em que começaram a ser feitos os registos de violência doméstica, foram registados 519 casos de mulheres assassinadas pelos maridos ou companheiros. Números ainda distantes dos espanhóis, que desde 2004 registaram 929 mortes.

Contudo, tendo em conta o número de habitantes dos dois países - cerca de 47 milhões em Espanha e 10 milhões em Portugal -, é fácil chegarmos à conclusão, que a proporção de vítimas no território nacional é bem superior ao verificado no país vizinho.

O ano em que mais mortes se registaram em Portugal foi em 2008, com 46 mortes, mais do dobro do que foram contabilizados em 2016 (22 casos) e 2017 (20), anos em que houve um menor número de casos. Este ano, quando estão decorridos seis meses e meio, já foram contabilizados 16 mortes de mulheres por violência doméstica, um número que se aproxima do revelado pela estatística espanhola, que aponta para 25.

Em Espanha, o ano mais crítico foi o de 2008, quando se atingiram as 76 mortes, mas desde de 2010 que não voltaram a atingir a fasquia dos 70 casos, registando-se 2018 como aquele que teve menos vítimas (47).

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