Espanhola escreveu no Facebook que deputada merecia ser violada e foi despedida

Após ver um debate, mulher disse que deputada do Ciudadanos devia ser violada por um grupo

Rosa María Miras Puigpinós tornou-se famosa em Espanha após ter escrito no Facebook que uma deputada e porta-voz do partido Ciudadanos era uma "cadela nojenta" e devia ser violada por um grupo. Uma fama que já fez com que perdesse o emprego.

Foi a própria deputada Inés Arrimadas que chamou a atenção para a a publicação nas redes sociais, que descreveu como "um exemplo claro de ódio", avisando que iria apresentar uma queixa.

A mulher fez a publicação às 23 horas de dia 3 de setembro, após assistir a um debate político onde Arrimadas participou. No texto, Rosa María admitia saber que o comentário não iria agradar a muita gente e que iria ser muito criticada.

"Sei que vão chover críticas de todos os lados, sei que o que vou dizer é machista e tudo o que quiserem, mas ao ouvir a Arrimadas no debate da T5 só posso desejar-lhe que, quando saia esta noite, seja violada por um grupo, porque não merece outra coisa, cadela nojenta", escreveu Rosa María, de 45 anos.

Quatro horas depois, Inés Arrimadas partilhou a publicação no Twitter. "Aqui está um exemplo claro de ódio. Vou denunciar esta senhora. Não só pelo que me disse, mas por todas as mulheres que foram violadas", escreveu a deputada.

Arrimadas disse já ter recebido muitos comentários ofensivos pelas redes sociais, mas que este ultrapassou todos. Segundo o jornal ABC, a deputada disse que este foi "especialmente grave e muito ofensivo" para si e para todas as mulheres e que é sua obrigação moral apresentar queixa.

Rosa María arrisca-se a ser condenada por injúrias graves e a ter de pagar uma multa. Mas já está a sofrer as consequências: nas redes sociais Rosa María já está a ser condenada e acabou por apagar a conta no Facebook; no emprego, acabou por ser despedida.

Dois dias após a publicação, Rosa María foi despedida da empresa onde trabalhava há apenas um mês, segundo a imprensa espanhola. Num comunicado de 5 de setembro, a Tinsa, uma empresa do setor imobiliário, expressou "total repulsa pelos comentários inaceitáveis" feitos pela funcionária e informou que a mulher "já deixou de trabalhar para a empresa".

Rosa María disse numa entrevista publicada esta quinta-feira que está arrependida e que nunca imaginou que a publicação tivesse esta repercussão. "Como iria imaginar algo assim? Claro que me arrependo", disse ao jornal El Comercio.

O caso gerou ainda a discussão sobre se o despedimento de Rosa María foi justo, já que os comentários foram feitos na sua conta pessoal no Facebook e não em nenhuma conta da empresa, nem usou nenhum elemento que identificasse a Tinsa. A Confederação Sindical das Comissões dos Trabalhadores classificou o despedimento como uma medida desproporcionada, segundo o ABC, e há quem diga que a mulher pode recorrer à justiça para recuperar o emprego.

Rosa María, contudo, diz que não o vai fazer porque está "muito envergonhada". A pior parte é "saber que nunca vou encontrar outro [emprego], a imagem que têm de mim e como a minha família ficou mal", disse a mulher.

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