Erdogan insta turcos na Alemanha a votarem contra CDU, SPD e Verdes

"Digo-o a todos os meus compatriotas na Alemanha:Não apoiem os democratas-cristãos, o SPD ou os Verdes. São todos inimigos da Turquia", declarou o Presidente turco

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, instou esta sexta-feira a comunidade turca na Alemanha a não votar no Partido Democrata-Cristão (CDU), no Partido Social-Democrata (SPD) ou nos Verdes nas legislativas de setembro, por serem "inimigos da Turquia".

"Digo-o a todos os meus compatriotas na Alemanha: Não apoiem os democratas-cristãos, o SPD ou os Verdes. São todos inimigos da Turquia", declarou Erdogan à imprensa, aumentando a tensão entre Ancara e Berlim.

"Deem o apoio necessário àqueles que não demonstram hostilidade em relação à Turquia. Pouco importa que seja o primeiro ou o segundo partido, votem neles", prosseguiu, sem nomear qualquer formação política, acrescentando: "Trata-se de uma luta pela honra de todos os nossos cidadãos que vivem na Alemanha".

O Governo alemão de coligação já reagiu, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Sigmar Gabriel, que condenou a ingerência do Presidente de um país estrangeiro num assunto interno da Alemanha, a campanha para as eleições legislativas que se realizam a 24 de setembro.

"É um ato de ingerência excecional na soberania do nosso país", declarou o chefe da diplomacia, do SPD, numa entrevista à imprensa regional.

"Esta ingerência de Erdogan na campanha eleitoral mostra que ele quer pôr as pessoas umas contra as outras na Alemanha" antes do escrutínio, acrescentou.

As relações entre Ancara e Berlim tornaram-se particularmente tensas depois do golpe de Estado falhado de 15 de julho de 2016 na Turquia, imputado ao clérigo Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos e que nega qualquer envolvimento.

A Turquia acusa a Alemanha de dar provas de indulgência em relação a "terroristas", ao acolher separatistas curdos e presumíveis golpistas.

O Governo turco enviou mesmo uma nota diplomática a Berlim esta semana exigindo que Adil Öksüz, considerado o líder operacional dos golpistas, atualmente em fuga e que alguns rumores situam na Alemanha, seja procurado e extraditado para a Turquia.

Por sua vez, a Alemanha condena firmemente a dimensão das purgas levadas a cabo na Turquia após o golpe falhado, no âmbito das quais mais de 50.000 pessoas foram detidas.

Existem neste momento dez cidadãos alemães, alguns com dupla nacionalidade, detidos na Turquia, afirmou na quarta-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, Martin Schaefer.

Entre eles, está Deniz Yücel, um jornalista turco-germânico, correspondente do diário alemão Die Welt, que se encontra preso desde fevereiro.

O SPD, cujo candidato à chefia do Governo é Martin Schulz, antigo presidente do Parlamento Europeu, e a CDU de Angela Merkel competem nas próximas eleições, mas têm uma posição comum sobre a Turquia na coligação atualmente no poder.

Por seu lado, Os Verdes defendem a adoção de uma linha bastante mais dura em relação à Turquia. O seu copresidente, Cem Özdemir, ele mesmo de origem turca, é extremamente crítico do Presidente Erdogan.

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