ERC insta Puigdemont a voltar ou ceder presidência

Oriol Junqueras é o nome defendido como alternativa para a liderança da Generalitat. Carme Forcadell vai ser proposta para continuar à frente do Parlamento catalão

A ERC continua a defender que Carles Puigdemont deve ser o presidente da Generalitat, mas ontem deixou claro que se este não voltar de Bruxelas a liderança do governo da Catalunha deverá ser entregue a Oriol Junqueras, o cabeça de lista do partido e ex-número dois do executivo, atualmente em prisão preventiva.

O recado foi dado ontem por Carles Mundó, o número cinco da lista da Esquerda Republicana da Catalunha e ex-conselheiro da Justiça, que recordou que Puigdemont prometeu regressar para ser investido presidente caso o bloco independentista mantivesse a maioria absoluta no Parlamento, o que aconteceu. Este foi "o compromisso que ele assumiu com os seus eleitores e, por isso, se tal não acontecer fico surpreendido, mais, ele terá de dar explicações", afirmou Mundó.

Durante a campanha, o ex-conselheiro da Justiça questionou o Junts per Catalunya, a candidatura de Puigdemont, sobre a existência de um plano B caso este não regressasse de Bruxelas. Ontem, em entrevista à TV3, Carles Mundó assumiu que o plano B deve ser que, se Puigdemont não estiver na Catalunha, o presidente deve ser Oriol Junqueras. "É assim que deveria ser, porque vai de encontro à ideia de governo legítimo que sempre se defendeu", afirmou.

Jordi Turull, número quatro do Junts per Catalunya, respondeu a Mundó dizendo que "gastar energias noutras hipóteses" é "começar a entrar num registo de rendição". "E nós não estamos nesse registo, não estamos nem na rendição, nem na resignação".

Presente na mesma entrevista da TV3, o ex-conselheiro da Presidência da Generalitat preferiu sublinhar que o governo de Mariano Rajoy quem tem de dar explicações. "É o Estado espanhol que terá que explicar muito bem como uma pessoa que é eleita pelos seus cidadãos, que foram desautorizados por este governo central, que fará o possível para que a escolha do Parlamento da Catalunha não seja presidente da Generalitat", declarou Turull.

Carles Puigdemont continua a ser o candidato do Junts per Catalunya para assumir a presidência da Generalitat, mas, segundo o El Mundo, nos corredores do movimento começa a falar-se no nome de Jordi Sànchez como uma possível alternativa. O ex-presidente da Assembleia Nacional Catalã e número dois da lista é uma figura consensual e um dos responsáveis pelas grandes mobilizações independentistas dos últimos meses.

Sànchez é, a par de Jordi Cuixart, o presidente da associação independentista Òmnium Cultural, um dos "mártires" da causa independentista, estando ambos detidos em preventiva desde 16 de outubro. A medida de coação deverá ser revista a 11 de janeiro e, no caso de ser libertado, Sànchez poderá estar presente na sessão de investidura, que terá de acontecer até 6 de fevereiro.

O bloco independentista tem ainda outra questão para resolver. No novo Parlamento catalão existem 19 deputados eleitos acusados de sedição e rebelião e há dúvidas se oito deles poderão exercer o seu direito de voto - Puigdemont e os quatro ex-conselheiros que se encontram em Bruxelas (que serão detidos assim que voltarem a Espanha) e Oriol Junqueras, Joaquim Forn e Jordi Sànchez (que estão em prisão preventiva).

Resolvida parece estar a questão da liderança do Parlamento da Catalunha, pois o Junts per Catalunya vai propor que Carme Forcadell volte a ser presidente, cargo que levou a esteja acusada de desobediência no Tribunal Superior de Justiça e de rebelião e sedição pelo Supremo. A deputada da ERC encontra-se em liberdade após ter pago uma fiança de 150 mil euros.

A candidatura de Carles Puigdemont justifica esta proposta dizendo que o seu objetivo é "devolver a todas as instituições legítimas catalãs" os elementos que as ocupavam antes da aplicação do artigo 155.º da Constituição.

Em Madrid, o governo de Mariano Rajoy aguarda o desenrolar dos acontecimentos na Catalunha, nomeadamente o bloco independentista e se estes seguirão pela via da declaração unilateral de independência. Neste cenário, escrevia ontem o El Mundo, o primeiro-ministro terá o apoio de Ciudadanos e PSOE caso decida reativar o artigo 155.º - neste momento ainda em vigor, mas que cessará quando o novo executivo catalão tomar posse. Na sexta-feira, Mariano Rajoy já havia deixado claro que o futuro elenco da Generalitat terá de "submeter-se à lei" e que está aberto a um diálogo "construtivo, aberto e realista, sempre dentro da lei".

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