Encontrado galeão afundado no século XVIII com tesouro multimilionário

Descoberta foi anunciada pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos

A Colômbia encontrou o que resta do galeão espanhol San José, que se afundou ao largo de Cartagena em 1708 e terá levado consigo, suspeitam os investigadores, um dos maiores tesouros alguma vez perdidos no mar - está avaliado algures entre os três mil milhões e os 17 mil milhões de dólares (entre os 2,7 mil milhões e os 15,5 mil milhões de euros).

O anúncio foi feito pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos: "grande notícia", escreveu no Twitter, prometendo pormenores para uma conferência de imprensa que deverá realizar-se ainda este sábado.

O San José foi atacado por piratas britânicos, que tinham como objetivo roubar os tesouros transportados pelo navio do Peru até Espanha.

Mas a posse destes tesouros, eventualmente escondidos, tem estado no centro de uma disputa entre o governo colombiano e uma empresa norte-americana, a Sea Search Armada (SSA). Na década de 80, a SSA pediu a Bogotá para iniciar as buscas pelo galeão naufragado, alegando ter conseguido encontrar o local do naufrágio. Mas tinha uma condição: receber metade do tesouro. Porém, o presidente colombiano Belisario Betancur decretou, por despacho, que apenas reconhecia à empresa 5% dos bens que fossem encontrados.

A SSA recorreu na justiça e o caso foi tratado em diferentes tribunais, explica o El Mundo. Em 2007, o supremo colombiano decidiu que a totalidade dos bens relacionados com o património cultural da Colômbia pertencem ao Estado, ao passo que todos os que não se enquadrem nesta categoria devem ser repartidos em partes iguais.

A empresa continuou a insistir na descoberta do local do naufrágio, mas o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sublinhou que a decisão judicial não obrigava o Estado a tentar a recuperação do navio. Apesar de tentar pressionar o governo colombiano através das instâncias internacionais, a SSA não teve sucesso e, em 2010, avançou com o pedido de indemnização de 17 milhões de dólares pelas perdas logísticas e contratuais acumuladas desde o início das buscas pelo galeão, em 1982.

Em 2011, um tribunal norte-americano decidiu que o navio era propriedade do Estado colombiano.

Há dois anos, o congresso da Colômbia regulamentou os procedimentos relativos a património cultural submerso, estabelecendo os mecanismos que permitem avançar com o resgate de navios históricos que se encontrem em águas nacionais, abrindo caminho à agora anunciada descoberta do San José.

Especula-se que o navio tenha levado ao fundo consigo moedas de ouro, prata e pedras preciosas, nomeadamente esmeraldas.

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Rosália Amorim

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