Empresas tecnológicas e FBI unem-se contra perigo russo

As grandes empresas de Silicon Valley e as autoridades norte-americanas começaram a colaborar para prevenirem interferências políticas nas redes sociais, caso da interferência russa na campanha eleitoral das presidenciais de 2016

Elementos do FBI e do Departamento de Segurança Interna reuniram-se com quadros do Facebook e de outras das maiores empresas tecnológicas num encontro convocado pela empresa da maior rede social, adiantou o Washington Post.

A reunião, que decorreu no mês passado, na sede do Facebook, em Menlo Park, incluiu elementos da Google, Twitter, Apple, Microsoft, Snapchat e Oath (Yahoo e AOL), e teve como objetivo estabelecer relações mais próximas entre tecnológicas e forças de segurança.

As chefias dos serviços secretos e de segurança norte-americanos disseram em fevereiro que o Kremlin continua a tentar perturbar o sistema político dos EUA, o que inclui a interferência nas eleições do meio de mandato, que decorrem no dia 6 de novembro. Nesse escrutínio todos os lugares da Câmara dos Representantes estão em jogo, bem como 35 dos 100 lugares do Senado.

O diretor dos Serviços de Informações, Dan Coats, lembrou então que a propaganda, contas falsas e bots (contas automatizadas) fazem parte das armas para tentar minar a próxima eleição.

As empresas já colaboravam com os serviços de segurança no que respeita a conteúdos relacionados com pornografia infantil ou terrorismo, mas não sobre ameaças externas.A dimensão da interferência russa na campanha só foi identificada meses depois das eleições. E ao que reporta o site Hamilton 68, criado para seguir o rasto de mensagens oriundas da propaganda russa, a interferência mantém-se, tendo sido visível no debate sobre o controlo de armas que se seguiu ao massacre na escola de Parkland.

Segundo o Washington Post, os executivos do Facebook queixaram-se aos serviços de informações pelo facto de estes não terem ajudado a prepará-los para este tipo de ameaça, apesar de repetidos pedidos nos meses seguintes às eleições.

O Facebook anunciou em setembro do ano passado que tinha descoberto anúncios russos e de seguida a empresa de Mark Zuckerberg partilhou informações com o procurador Robert Mueller, que dirige as investigações oficiais sobre a interferência russa na campanha de 2016. No início do ano, Mueller indiciou 13 pessoas da Internet Research Agency, empresa com sede em São Petersburgo, suspeita de alimentar divisões nas redes sociais e de espalhar fake news com um exército de trolls.

Além de colaborarem com as autoridades, as empresas tecnológicas começaram a partilhar informações através de uma base de dados, com registos de sites, botnets e atividades suspeitas.

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