Empresa tem de pagar três milhões porque os seus vibradores espiavam os donos

A criadora de brinquedos sexuais We-Vibe recebia informações dos hábitos sexuais dos seus utilizadores

A empresa We-Vibe, criadora de brinquedos sexuais "inteligentes", vai ter de gastar cerca de 3 milhões de dólares (mais de 2.8 milhões de euros) para indemnizar os clientes que adquiriram os seus produtos. Isto, porque os aparelhos registavam e comunicavam à empresa a frequência de utilização.

O vibrador "inteligente" We-Vibe 4 Plus, que custa pouco mais de 100 euros, funciona através de bluetooth e pode ser controlado através de uma aplicação para o telemóvel. "Permite aos casais manter a chama acesa, juntos ou separados", diz a empresa, de acordo com o The Guardian.

Esta funcionalidade permite que o vibrador seja ligado remotamente, permitindo, por exemplo, a interação à distância.

Contudo, a aplicação tem várias insuficiências e vulnerabilidades a nível de segurança e privacidade, o que permite que alguém com bluetooth ligado a uma determinada distância possa "tomar conta" do aparelho.

Além disso, várias informações eram enviadas para a Standard Innovation, empresa mãe da We-Vibe, que ficava assim com registos relativos à temperatura do aparelho, a sua intensidade de vibração, entre outros dados, que revelam informação íntima sobre os hábitos sexuais dos utilizadores.

Agora, a Standard Innovation é obrigada a pagar aos clientes, depois de um processo resolvido num tribunal federal do Illinois, EUA.

Assim, utilizadores que utilizaram o vibrador mais a aplicação vão ter direito a mais de 7 mil euros, com aqueles que adquiriram apenas o aparelho a terem direito a cerca de 190 euros.

"Na Standard Innovation levamos a privacidade dos consumidores e da informação muito a sério. Temos melhorado os nossos avisos de privacidade, aumentámos a segurança da aplicação e demos aos utilizadores mais escolha relativamente à informação que partilham. Com este acordo, podemos continuar com o foco no fabrico de novos e inovadores produtos para os nossos clientes", reagiu a empresa, em comunicado.