Embaixada do Equador proíbe Julian Assange de ter acesso à internet

Embaixada equatorial em Londres restringiu o acesso às comunicações ao fundador do WikiLeaks por temer que isso possa pôr em risco as boas relações diplomáticas com o Reino Unido

Julian Assange está de castigo. Depois de ter sido por várias vezes aconselhado a não se expressar nas redes sociais, o fundador da WikiLeaks voltou a manifestar a sua opinião no Twitter.

Desta vez criticou a decisão do governo britânico de expulsar diplomatas russos em resposta ao envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e da filha Yulia e teve um "bate boca" com o parlamentar britânico Alan Duncan, ministro de Estado para a Europa no país. Duncan chamou Assange de "verme miserável" durante uma sessão de perguntas, afirmando que já era hora de ele deixar a embaixada e de se entregar às autoridades.

Assange respondeu que é "miserável" por ser "um prisioneiro político detido por oito anos sem acusações, em violação de duas decisões das Nações Unidas".

O Equador não gostou. A Embaixada equatoriana em Londres, onde Julian Assange está refugiado desde 2012, anunciou esta quarta-feira que lhe impôs restrições no acesso a comunicações, por violar o acordo de falar sobre questões internacionais.

"O Governo do Equador suspendeu os sistemas que permitem a Julian Assange comunicar com o exterior a partir da embaixada equatoriana em Londres", lê-se num comunicado que a Embaixada enviou às redações. No mesmo, o Equador informa o porquê de tomar esta atitude.

O governo do Equador adverte que a conduta de Assange através das suas mensagens nas redes sociais coloca em risco as boas relações que o Equador mantém com o Reino Unido, a União Européia e outras nações.

Esta já não é a primeira vez que a embaixada retira os direitos de acesso à internet a Assange. Na primeira ocasião, ele foi bloqueado por causa da participação do WikiLeaks na divulgação de e-mails roubados durante a campanha de Hillary Clinton, candidata democrata à presidência dos Estados Unidos.

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