Em Mati, um pai não desiste de encontrar as gémeas de nove anos

O governo da Grécia pode declarar esta quinta-feira que o incêndio em Mati, uma zona balnear a poucos quilómetros de Atenas, pode ter sido o mais mortífero da Europa, desde a segunda guerra mundial

O número de mortos confirmados no grande incêndio de terça-feira em Mati, na região grega da Ática, subiu para 81, enquanto permanecem cerca de 100 desaparecidos.

Os bombeiros e as equipas de socorro fazem agora revistas casa a casa na região, onde há mais de 2500 habitações ardidas. E é essa a razão para o pessimismo das autoridades: o número de mortos tenderá a aumentar à medida que as autoridades investigam a região.

Como o DN referiu, o pior incêndio florestal da Europa desde 1945 tinha sido o da região francesa de Landes, com 82 mortos.

"Foi como o Inferno de Dante", comparou, ao The Times, Stelios Nikolaou, enquanto olhava para a sua casa destruída. "Chamas de 15 metros de altura rasgavam a encosta a um ritmo inacreditável. Mal consegui tirar minha esposa, o meu filho e Fidel, o cachorro, de casa e corremos para o mar. As pessoas gritavam, os carros explodiam, as pinhas voavam como granadas. Uma delas atingiu até o Fidel, queimando-o e forçando-me a atira-lo ao mar. "

Entre os desaparecidos estão duas crianças de nove anos, irmãs gémeas. Sofia e Vasiliki Philipopoulou estavam de férias com os avós, em Mati. Num vídeo, pareciam aparecer, depois de salvas no mar por pescadores que as trouxeram para o porto de Rafina. A filmagem foi vista pelo pai, Yiannis Philipopoulos, que se dirigiu até o porto. Mas não encontrou nenhum vestígio das suas filhas.

"Agora, o fardo recai sobre nós, os sobreviventes, para reconstruir as nossas vidas das cinzas desta destruição"

As autoridades confirmaram ontem à noite que as crianças no vídeo não eram as filhas de Yiannis. Os avós também estão desaparecidos.

Vassiis Andriopoulos, um dos voluntários que trabalham nas operações de salvamento em Mati, conta: "Estamos vasculhando a região, procurando cada centímetro do porto, rochas e cavernas na esperança de encontrar as gémeas."

Mais de 280 bombeiros permanecem em Mati. O governo atribuiu 20 milhões de euros para ajudar vítimas, mas o número de mortos e a vulnerabilidade da comunidade estão a aumentar o pessimismo.

Lyto Vergithini avalia, ao The Times. "Algo de seriamente errado aconteceu aqui. As pessoas não podem perder as suas vidas assim. Agora, o fardo recai sobre nós, os sobreviventes, para reconstruir as nossas vidas das cinzas desta destruição. "

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