MP pede prisão para elemento da Manada que tentou renovar passaporte

Em liberdade condicional há seis dias, o Guarda Civil acusado de abuso sexual de uma jovem em 2016 tentou renovar passaporte, indo contra uma das medidas cautelares

Antonio Manuel Guerrero, o Guarda Civil que saiu sob o pagamento de uma fiança de 6 mil euros, depois de ter sido condenado a nove anos de prisão por abuso sexual de uma jovem nas festas de Sanfermin, em 2016, juntamente com outros quatro elementos que se autodenominaram de La Manada, tentou esta segunda-feira renovar o passaporte, segundo noticia o El País .

Os acusados estavam detidos há dois anos e foram soltos para aguardar em liberdade a resolução do recurso interposto pela defesa, sob o pressuposto de não entrarem em Madrid, área de residência da vítima, de se apresentarem periodicamente às autoridades e de não saírem do país.

O facto de Antonio Manuel Guerrero ter tentado obter novo passaporte viola uma das condicionantes da liberdade provisória. A acusação e o Ministério Público pedem que volte a ser detido.

O pedido de novo passaporte foi negado, informação que a própria Polícia Nacional espanhola confirmou na rede social Twitter.

O advogado do Guarda Civil sustenta que o cliente tentou tirar o passaporte, uma vez que o tinha de entregar como parte das medidas cautelares impostas pelo tribunal. Alega que Guerrero não sabia do documento original e, como tal, resolveu renová-lo para o poder apresentar.

La Manada está em liberdade condicional há seis dias e a medida é revogável. Portanto, a acusação pode adicionar esta tentativa ao processo e pedir a anulação da libertação do grupo.

O Ministério Público já se pronunciou através de um comunicado, avança o El País .

"O Ministério Público irá solicitar a medida cautelar de admissão à prisão, tendo em vista o risco de fuga manifestado pela tentativa de violação da medida expressamente acordada, segundo a qual não poderia obter um novo passaporte no futuro". Pede ainda ao Tribunal Provincial de Navarra que investigue "se os fatos poderiam ser constitutivos de um possível crime de violação da medida cautelar em grau provisório".

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