Eleição de Donald Trump "foi como o início de um filme de ficção científica"

Daniel Folger esteve à conversa com o DN durante a Comic Con, no passeio marítimo de Algés, para falar sobre o papel dos atores norte-americanos contra as decisões da administração Trump.

O ator norte-americano Daniel Fogler esteve em Portugal para participar na "cimeira" da cultura pop, mas deixou de lado as bestas fantásticas e os mortos-vivos para falar ao DN sobre a "máquina de propaganda para manter os cidadãos na linha" nos Estados Unidos da América e sobre o rumo que o país está a tomar.

Os discursos de atores contra as decisões da administração do Presidente estadunidense, Donald Trump, replicam-se em entregas de prémios e programas televisivos. Na opinião do ator Daniel Fogler, houve "um surto, um conjunto de pessoas que vão além dos meios de comunicação convencionais, dos programas de 'talkshow', não apenas jornalistas" a mostrar o descontentamento pelas ações do governo.

"É o nosso trabalho, a todos os níveis, se vemos que algo está mal com o nosso governo, com a nossa sociedade, faz parte da nossa função [enquanto atores] comentar isso", explica, citando William Shakespeare para dizer que o trabalho dos atores é "colocar o espelho para a sociedade".

O comediante de 41 anos explicou que escreveu um romance para criticar "todas as questões voláteis que acontecem agora" e o que aconteceria daqui a duas décadas se tudo corresse mal no mundo: "É a minha forma de lidar com a loucura de alguém como o Trump ser presidente."

"Quando [Donald Trump] foi eleito, para mim foi como o início de um filme de ficção científica", afirmou, explicando que viu a eleição como "alguém narcisista, que possivelmente pode ser demente, com imenso dinheiro e agora tem controlo do país e o vai transformar num 'reality show' para prazer próprio".

As críticas às decisões de Trump também se têm replicado em todo o tipo de programas e Daniel Fogler explica que maior parte dos programas televisivos "ou estão a tentar evitar, não mencionar [a existência da administração Trump] ou a tentar falar especificamente".

Sobre o efeito que estas mensagens possam estar a ter na população norte-americana, o comediante considerou que "as pessoas se estão a debater com a situação" e a comunidade artística continua a pensar "no que deve dizer para criar uma reação nas pessoas". Aqui, o ator considera que a pluralidade de críticas prejudica essa insurgência contra a administração: "Está tudo muito diluído e há tanto conteúdo."

"Estou muito preocupado com o rumo que o meu país está a tomar, acho que muitas pessoas levaram uma lavagem cerebral e o governo está a fazer o que podem para controlar e manter as pessoas desinformadas, é como se fôssemos gado", afirma.

Daniel Fogler acredita, por isso, que as pessoas têm de "aprender a ler esse barómetro para perceber os tempos" em que o país vive e é preciso perceber que "tem de haver mudança", uma vez que "todos os países têm a sua máquina de propaganda para manter os cidadãos na linha".

"Se somos apenas um 'bully' nos olhos das pessoas, temos de refletir sobre isso. Ninguém faz isso, principalmente na administração atual. Acham que estão bem e que nada de mal advém do que fazem", vinca.

Reeleição de Trump é assustadora

Daniel Fogler considera que "é assustador" considerar a reeleição de Donald Trump em 2020, mas é, contudo, possível: "Acho que tudo pode acontecer, se olharmos pela lógica é impossível que ele seja eleito, [porque] vai para prisão antes disso, mas pelo lado real acho que as coisas vão acalmar e ele vai continuar [no cargo] ".

"É o nosso trabalho [enquanto atores] protestar isso ou fazer o que fazemos melhor e fazer arte e tentar mudar as mentes das pessoas dessa forma", finaliza.

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