Durex retira dez lotes de preservativos do mercado no Reino Unido e Irlanda

Produtos não passaram em alguns testes e teme-se que, principalmente perto do fim da data de validade, possam rebentar ou rasgar

A Durex retirou do mercado dez lotes de preservativos, com datas de validade compreendidas entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021, no Reino Unido e na Irlanda. Em causa está o receio de que estes possam rebentar depois de os referidos lotes terem falhado em alguns testes feitos pela marca, nos quais se descobriu que a qualidade dos produtos piora quanto mais próximos estão do fim da data aconselhada de utilização.

A marca, que pediu desculpa pela situação e vai reembolsar os clientes que possam ser afetados pela situação, realçando que apenas os lotes que a Durex refere num comunicado feito no seu site foram afetados.

"Os nossos preservativos têm como objetivo providenciar um método de contraceção e prevenir a transmissão de infeções sexualmente transmissíveis através de uma barreira sem látex que beneficia os consumidores sensíveis ao látex. Os nossos testes mostraram que alguns lotes que estão atualmente no mercado no Reino Unido e na Irlanda não passaram nos requerimentos de pressão", afirmou a Durex em comunicado.

Por seu lado, a Agência do Medicamento e Produtos para a Saúde do Reino Unido aconselha as pessoas "afetadas pelos referidos lotes a pararem de usar os produtos devido à preocupação de que estes não cumpram os requisitos de segurança". "Existe o risco de os preservativos se rasgarem ou verterem, reduzindo a proteção de doenças sexualmente transmissíveis e o impedimento da gravidez", acrescenta a agência.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.