Donald Trump volta a endurecer o tom contra países asiáticos

Presidente dos EUA quer tratados bilaterais em vez de acordos multilaterais, como a TPP, e queixou-se das más práticas de alguns parceiros da APEC. Trump e Putin trocaram sorrisos mas não houve um encontro oficial

"Não vamos deixar que os Estados Unidos continuem a ser prejudicados. Vou pôr sempre a América primeiro, tal como espero que todos os que aqui se encontram o façam com os vossos países." Foi desta forma clara que Donald Trump se dirigiu aos líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla inglesa), no encontro que se realiza em Danang, Vietname.

Dito de outra forma, a mensagem de "comércio livre, recíproco e justo" que a Casa Branca adiantava que o presidente iria advogar, não foi mais do que a defesa do nacionalismo económico e de acordos bilaterais, em detrimento de acordos multilaterais. Trump queixou-se ainda das regras da Organização Mundial do Comércio não serem observadas por outros países. Em específico, disse que os Estados Unidos reduziram as barreiras do mercado e extinguiram tarifas aduaneiras, mas os outros países não corresponderam da mesma forma.

Trump denunciou igualmente o roubo de propriedade intelectual, algo que os Estados Unidos não mais vão tolerar, promete. "Estas práticas afetaram muitas pessoas no meu país" - e de seguida afirmou que milhões de norte-americanos perderam empregos à custa do comércio livre. A Administração Trump decidiu retirar os Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP), acordo comercial atingido em 2015 e assinado em 2016 por 11 países da APEC e os Estados Unidos.

A sobrevivência da TPP é o grande tema a debater nas restantes horas do encontro. Com a China fora desta parceria, o Japão é o principal interessado em salvá-la. Mas a ausência do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, de uma reunião ensombrou o futuro do acordo.

"Vejo uma enorme mudança. Vejo a escalada da antiglobalização, de mais políticas viradas para dentro, o que ironicamente está contra o ideal da criação da APEC", comentou o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak. Em contraste com o discurso protecionista de Trump, seguiu-se o do homólogo chinês, Xi Jinping. "Devemos dirigir a globalização económica, ou devemos hesitar e parar perante o desafio? Devemos aprofundar em conjunto a cooperação regional ou devemos seguir os nossos caminhos separados?." Qual líder da globalização acabado de entronizar, respondeu: "A abertura traz progresso, enquanto a reclusão é um atraso."

Mueller investiga ex-conselheiro

A caminho da Ásia, a bordo do Air Force One, Donald Trump disse aos jornalistas que quer a "a juda de Putin" sobre a Coreia do Norte. No entanto, não houve encontro formal entre os dois presidentes. Encontraram-se durante a foto de família, trocaram apertos de mão e sorrisos e falaram de forma breve. As relações entre Rússia e EUA continuam longe de normalizar. Ainda ontem, a Duma fez saber que alguns meios de comunicação norte-americanos podem ser considerados "agentes estrangeiros" e obrigados a declarar detalhes sobre o seu financiamento, recursos humanos e financeiros.

O Wall Street Journal revelou ontem que o procurador Robert Mueller está a investigar se Michael Flynn, o primeiro conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, estava envolvido num plano para deter um clérigo muçulmano e entregá-lo às autoridades turcas em troca de milhões de dólares.

Segundo as suspeitas, o tenente-general Flynn e o filho, Michael Flynn Jr, iriam receber 15 milhões de dólares para remover Fethullah Gulen do exílio na Pensilvânia e entregá-lo a Ancara. O alegado plano foi posto a descoberto durante a investigação de Mueller sobre a possível interferência russa na eleição presidencial de 2016.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusa Gulen de ter instigado um golpe falhado em 2016 e quer que este seja extraditado para a Turquia para enfrentar um julgamento. Gulen negou qualquer papel no golpe que causou dezenas de mortos e uma reação do poder que levou à prisão e ao despedimento de dezenas de milhares de pessoas e ao encerramento de meios de comunicação social.

Michael Flynn foi o conselheiro de segurança nacional que menos tempo esteve no cargo. Uma troca de comunicações com o embaixador russo e a forma como terá escondido a informação para com o vice-presidente dos EUA ditou o destino do conselheiro.

Noutra frente da investigação de Mueller, o procurador ouviu na quinta-feira o conselheiro político de Donald Trump, Stephen Miller. Segundo a CNN, o papel de Miller no despedimento do diretor do FBI James Comey foi um dos temas abordados. Em maio, Miller terá ajudado Trump na escrita de um memorando que explicava as razões pelas quais decidira exonerar Comey das suas funções. No entanto, o documento não foi oficializado graças à oposição de outro conselheiro, Donald McGahn, devido ao seu conteúdo. O afastamento de James Comey do FBI poderá constituir um caso de obstrução à justiça.

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