Donald Trump e Travis Bickle? O ator De Niro vê semelhanças

Robert De Niro compara Trump a personagem mentalmente instável que interpretou em "Taxi Driver"

O ator norte-americano Robert De Niro comparou hoje Donald Trump à personagem mentalmente instável que interpretou no icónico filme Taxi Driver (1976), considerando o candidato republicano às presidenciais norte-americanas "totalmente louco".

O veterano ator, premiado com dois Óscares, fez os comentários no Festival de Cinema de Sarajevo, que começou na sexta-feira com a exibição do clássico de Martin Scorsese, remasterizado digitalmente para o seu 40.º aniversário.

Em Taxi Driver, De Niro interpreta Travis Bickle, um veterano da guerra do Vietname que conduz um táxi em Nova Iorque e que sucumbe lentamente à paranoia e esquizofrenia.

"O que é significativo para mim é esta ironia de no final ele (Travis) estar a conduzir novamente o seu táxi e... congratulamo-nos. O que é de alguma forma, de um modo estranho, pertinente também hoje", comentou o ator numa conversa pública à margem do festival, do qual é convidado de honra.

Fazendo a ligação com a corrida presidencial norte-americana, De Niro, que é há muito um apoiante dos democratas, disse que Trump, como Bickle, está onde não devia estar. "Não sei, é uma loucura, mas pessoas como Donald Trump (...) nem deveriam estar onde ele está, por isso, Deus nos ajude", adiantou.

"Penso que as pessoas agora estão a começar a rejeitá-lo", disse, adiantando: "Os media deram-lhe toda esta atenção e finalmente estão a começar a dizer: 'Vá lá Donald, isto é ridículo, isto é uma loucura'. (...) Porque o que ele tem dito é realmente completamente louco, coisas ridículas... completamente loucas".

Trump tem vindo a descer nas sondagens e está sob crescente pressão, mesmo entre os republicanos, pela sua aparente incapacidade de parar de fazer afirmações controversas e observações extemporâneas.

No início da semana, Trump acusou o Presidente Barack Obama de ser o "fundador" do grupo extremista Estado Islâmico e a sua rival democrata, Hillary Clinton, de ser "cofundadora". Depois de manter as declarações por diversas vezes, sugeriu na sexta-feira que estava a ser sarcástico.

Ler mais

Premium

Ricardo Paes Mamede

O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Os relatórios das instituições internacionais sobre a economia e a política económica em Portugal são desde há vários anos uma presença permanente do debate público nacional. Uma ou duas vezes por ano, o FMI, a Comissão Europeia (CE), a OCDE e o Banco Central Europeu (BCE) - para referir apenas os mais relevantes - pronunciam-se sobre a situação económica do país, sobre as medidas de política que têm vindo a ser adotadas pelas autoridades nacionais, sobre os problemas que persistem e sobre os riscos que se colocam no futuro próximo. As análises que apresentam e as recomendações que emitem ocupam sempre um lugar destacado na comunicação social no momento em que são publicadas e chegam a marcar o debate político durante meses.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.