Trump critica democratas por rejeitarem proposta para financiar muro na fronteira com o México

Os serviços do governo federal estão paralisados há quase um mês por democratas e republicanos não chegarem a um acordo.

O presidente norte-americano criticou nesta quinta-feira a líder da maioria democrata na Câmara dos Representantes e outros membros do seu partido por terem rejeitado a sua proposta para financiar o muro na fronteira com o México, antes de a ter anunciado.

"Nancy Pelosi e alguns democratas rejeitaram a minha oferta antes mesmo de eu falar. Não veem o crime e as drogas, apenas veem 2020 [data das próximas eleições presidenciais], que eles não vão ganhar", escreveu Donald Trump na sua conta na rede social Twitter, referindo-se à líder da maioria do Partido Democrata na Câmara dos Representantes.

"Eles devem fazer a coisa certa pelo país e permitir que as pessoas voltem ao trabalho", acrescentou.

Numa outra mensagem semelhante, Trump voltou a atacar Nancy Pelosi, tendo considerado que "se comportou de forma tão irracional e foi tão longe para a esquerda que ele agora se tornou oficialmente um democrata radical".

Numa tentativa de desbloquear o shutdown (encerramento dos serviços do governo federal) que já dura há cerca de um mês, Donald Trump propôs no sábado alargar a proteção aos jovens imigrantes ilegais que entraram no país quando crianças, em troca de 5,7 mil milhões de dólares para construir o muro, mas os democratas rejeitaram a proposta.

Em declarações na Casa Branca, em Washington, Trump disse que estava a oferecer um "compromisso de senso comum que ambas as partes deveriam adotar".

Antes das declarações de Trump, já Nancy Pelosi tinha dito que a proposta para terminar a paralisação parcial de 29 dias do governo era "uma compilação de várias iniciativas anteriormente rejeitadas, cada uma das quais inaceitável".

A democrata da Califórnia considerou que a oferta de Trump não era "um esforço de boa-fé" para ajudar os imigrantes e não poderia passar na Câmara.

Trump adiantou que iria alargar a proteção para jovens levados para o país ilegalmente quando crianças, bem como para aqueles com estatuto de proteção temporária que fugiram de países afetados por desastres naturais ou violência.

Os democratas criticaram a proposta defendendo que esta não é uma solução permanente para os imigrantes e porque inclui dinheiro para o muro ao longo da fronteira entre os EUA e o México, a que o partido se opõe fortemente.

Os democratas também querem que Trump reabra o governo antes que as negociações possam começar.

No discurso na Casa Branca, Trump detalhou que o plano contempla "três anos de alívio legislativo" para os 700 mil dreamers (cidadãos nascidos no estrangeiro que entraram nos Estados Unidos quando eram crianças), que poderão ter acesso a vistos de trabalho, número da Segurança Social, protegendo-os da deportação.

Segundo disse, o plano integra ainda mais "três anos de certeza" para 300 mil imigrantes cujo estatuto de proteção enfrenta a rescisão, "para que o Congresso possa trabalhar num acordo mais amplo de imigração".

Sobre o muro, Donald Trump referiu que o financiamento de 5,7 mil milhões de dólares será destinado "ao desenvolvimento estratégico de barreiras físicas, ou ao muro", acrescentando que "não se trata de uma estrutura em concreto de 2000 milhas (cerca de 3220 quilómetros) de mar a mar, são barreiras de aço em locais de alta prioridade".

O presidente norte-americano sublinhou que a maioria da fronteira com o México já tem barreiras naturais como "montanhas e água" e destacou que há muitos quilómetros de vala construída, como as 250 milhas (cerca de 400 quilómetros) que se estão a erguer atualmente.

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