Dois russos detidos por espionagem contra laboratório suíço

Arguidos tinham como objetivo obter informações sobre o agente neurotóxico que envenenou o ex-espião russo Sergei Skripal

Dois alegados espiões russos foram detidos na primavera na Holanda porque supostamente pretendiam obter informações do Laboratório Spiez é igualmente uma, tido internacionalmente como uma referência científica da Organização para a Proibição das Armas Químicas, que investigava o agente neurotóxico que envenenou Sergei Skripal.

De acordo com a imprensa da Suíça, os dois homens são suspeitos de tentarem conseguir informações do laboratório suíço, um organismo federal helvético, especializado em ameaças químicas e que desenvolve investigações sobre gases tóxicos e agentes nervosos.

O Serviço de Informações da Confederação Helvética confirmou aos vários jornais que publicam esta sexta-feira a notícia que conhece o assunto, adiantando que os dois suspeitos foram repatriados para Moscovo.

O Serviço de Informações acrescentou que em todo o processo que envolveu os dois homens colaboraram as autoridades britânicas, holandesas e suíças, e que a "intervenção permitiu evitar uma ação ilegal contra uma infraestrutura da Suíça, muito importante".

Os responsáveis pelo laboratório não confirmaram a ameaça, mas adiantaram que foram alvo de ataques de pirataria informática.

As notícias publicadas na Suíça indicam também que os alegados espiões transportavam material que poderia ter sido utilizado para aceder ao sistema informático do laboratório.

O Laboratório Spiez investiga atualmente os ataques com gases tóxicos na Síria e o envenenamento com Novitchok contra o ex-espião russo Sergei Skripal e a filha, no passado mês de março, em Salisbury, Inglaterra.

O pai e a filha sobreviveram ao ataque, assim como um polícia que também foi contaminado com a mesma substância na altura em que socorria os Skripal.

O envenenamento deu origem a uma grave crise política e diplomática entre a Rússia e vários países ocidentais, provocando a expulsão de diplomatas e a aplicação de novas sanções económicas contra Moscovo.

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