Confrontos violentos na Nicarágua. Há padres, jornalistas e estudantes cercados

Tudo começou no final de um discurso do presidente Daniel Ortega em Masaya.

Duas pessoas morreram sexta-feira à noite em Masaya, no final de um discurso do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, naquela cidade que é um símbolo da revolta popular contra o Governo, informou uma associação de direitos humanos. Padres, jornalistas e alunos feridos refugiaram-se numa Igreja, onde continuam presos.

O confronto decorreu no parque central de Masaya, onde desemboca o distrito indígena Monimbó, ainda cheio de barricadas e o último grande bastião dos manifestantes que exigem a renúncia de Ortega.

Segundo a Associação Nicaraguense dos Direitos Humanos (ANPDH), pelo menos duas pessoas morreram no confronto, no qual foram usadas armas pesadas, segundo a agência de notícias espanhola Efe.

Desde que os protestos contra Daniel Ortega começaram a 18 de abril, pelo menos 351 pessoas morreram na repressão contra os opositores, segundo organizações não-governamentais.

Tudo começou quando o Presidente da Nicarágua concluiu o seu discurso numa esquadra da polícia, cercado por um forte plano de segurança, contando ainda com apoio de membros da Juventude Sandinista, vestidos de preto, identificados com seus logótipos e armados com pistolas.

Quando Ortega proferiu suas últimas palavras, soou um tiro que desencadeou a tensão na caravana oficial, composta por milhares de partidários do atual presidente e da sua mulher, a vice-presidente, Rosario Murillo.

Alguns dos manifestantes refugiaram-se na casa paroquial da Divina Misericórdia de Manágua, que depressa foi rodeada por grupos paramilitares

Dois jornalistas continuam cercados com padres e estudantes feridos na Nicarágua

Os grupos paramilitares que cercam a casa paroquial da Divina Misericórdia de Manágua deixaram sair entretanto dois dos quatro jornalistas que ali estavam refugiados e onde ainda se encontram padres e estudantes feridos.

Ismael López, da BBC Mundo, e Joshua Partlow, do The Washington Post, segundo a agência de notícias Efe, saíram sexta-feira à noite daquele espaço, para o qual estavam a ser transferidos estudantes feridos, depois do assalto das forças de segurança do Governo e milícias terem atacado a Universidade Nacional Autónoma da Nicarágua (UNAN) para desalojar os jovens que aí se encontravam barricados desde maio.

A libertação dos jornalistas veio depois de várias conversas entre elementos da polícia e um membro da Cruz Vermelha e depois de passarem várias horas nas mãos das forças de segurança governamentais. José Noel Marenco, da 100% News, e Sergio Marín, da La Mesa Redonda, permanecem no local.

"Padres, jornalistas e estudantes feridos nacionais e estrangeiros, cercados por paramilitares na reitoria da Divina Misericórdia Freguesia de Manágua. Tentamos que alguém consiga chegar junto deles", escreveu na sexta-feira à noite o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manágua, Silvio José Báez, na sua conta na rede social Twitter.

O grupo refugiou-se na casa paroquial, próxima à UNAN, onde os estudantes feridos estavam a ser transferidos.

Pelo menos cinco estudantes que estavam desde maio barricados no campus universitário a exigir a renúncia do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, ficaram feridos depois de uma operação das forças de segurança e policiais para expulsá-los do local, informaram os seus líderes.

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