Dilma culpa neoliberais por afastamento da presidência

Em Lisboa, ex-presidente faz balanço positivo dos seus mandatos e diz que, com atual governo, país caminha para "situação muito difícil".

O "golpe parlamentar" de que Dilma Rousseff foi alvo e que culminou na destituição (o impeachment) é parte de um processo mais vasto que visa atacar as conquistas sociais alcançadas desde que o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao poder no Brasil, em 2003. É nestes termos que a ex-presidente justifica o sucedido em 2016 e a sua substituição por Michel Temer.

Dilma encontra-se em Lisboa para proferir a palestra inaugural (Neoliberalismo, desigualdade, democracia sob ataque) do ciclo Conferências do Trindade, hoje à tarde nesta sala de Lisboa, tendo-se encontrado ontem com jornalistas na Fundação José Saramago, tendo sido apresentada pela sua presidente e viúva do escritor, Pilar del Rio. Ocasião que aproveitou para passar em revista as razões do impeachment.

A principal destas foi o facto de o seu governo "estar fora" da corrente das políticas neoliberais dominantes. "Retirámos da pobreza 36 milhões, tínhamos no final de 2014 a menor taxa de desemprego, 4,8%, e já tínhamos superado crises semelhantes" àquela que se vivia então, recordou a presidente destituída. A aposta na despesa social, com especial "foco nas mulheres", era também algo que irritava os setores anti-PT. Dilma nota que uma das iniciativas da nova presidência foi a aprovação de uma emenda constitucional que "congela por 20 anos a despesa pública primária", isto é, tudo o que se relaciona com "a assistência social, educação e saúde". O Brasil está, na opinião da ex-presidente, a caminhar para "uma situação muito difícil económica, política e socialmente". Assiste-se "à desconstrução da Previdência" social, o que terá implicações negativas nos programas criados pelo PT.

O antifeminismo e a misoginia foram outros dos "ingredientes" no processo de destituição da ex-presidente. Para Dilma, aquilo que sucedeu não passou de uma campanha em que foram invocados "crimes de responsabilidade" (como traição ou suborno), na tentativa de justificar o seu afastamento, mas que não passavam, na pior das circunstâncias, de irregularidades administrativas merecedoras de um "aviso, nada mais". As verbas envolvidas nos três decretos presidenciais invocados como pretexto para a destituição não eram mais do que "0,01% do Orçamento", disse Dilma.

O segundo argumento invocado, relacionado com atrasos nos pagamentos de apoios à agricultura, o Plano Safra, que seriam uma forma encapotada de o Banco Central fazer empréstimos ao governo, a ex-presidente afirma que idêntica situação sucedeu com os seus antecessores. E nunca foi um problema.

Estas questões só foram levantadas porque interessava a "parte de setores financeiros e empresariais", com "um projeto eminentemente neoliberal", o afastamento do PT da área do poder. Dilma recordou que o PT vinha de um ciclo de "quatro vitórias consecutivas" - as presidenciais ganhas por Lula, no poder entre 2003 e 2011, a que seguiram outras duas vitórias de Dilma: eleição em 2011 e reeleição em 2014.

Noutro plano, interrogada sobre a solução governativa vigente em Portugal, classificou-a como "uma referência e um exemplo" para a esquerda, mostrando que "é possível esta ir em conjunto".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.