Dezenas de militares turcos condenados a prisão perpétua

Um tribunal turco condenou 72 militares à prisão perpétua pela participação em confrontos que resultaram na morte de 34 pessoas na noite do fracassado golpe de 2016. Outros tantos podem conhecer o mesmo destino nos próximos dias.

Setenta e dois militares, incluindo um tenente-coronel, foram considerados culpados de "tentar derrubar a ordem constitucional" e sentenciados à prisão perpétua.

Segundo a agência de notícias Anadolu, outros 27 arguidos foram condenados a mais de 15 anos de prisão por "cumplicidade na tentativa de derrubar a ordem constitucional", segundo o comunicado do veredicto, três dias antes da comemoração do segundo aniversário do golpe fracassado.

Este julgamento é um dos muitos processos judiciais em curso após a tentativa de golpe de 15 a 16 de julho de 2016 para derrubar o presidente Recep Tayyip Erdogan.

Espera-se que mais sentenças sejam emitidas para 71 outros arguidos do caso. Estão acusados de matar deliberadamente civis que responderam aos apelos de Erdogan para desafiar os golpistas numa das três pontes sobre o estreito de Bósforo.

Na noite de 15 a 16 de julho, dezenas de soldados apoiados por tanques assumiram o controlo da ponte do Bósforo por várias horas, matando civis que marchavam sobre eles para protestar.

De acordo com a acusação, 32 civis e dois polícias que se opuseram aos golpistas foram mortos na ponte, que foi rebatizada de Ponte dos Mártires de 15 de julho.

Ancara aponta o dedo ao clérigo Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos há duas décadas. Este nega qualquer envolvimento, o que é secundado por um relatório da agência de partilha de informações europeias, Intcen. O mesmo documento conclui que Erdogan aproveitou o golpe para alargar o seu poder e livrar-se da oposição.

Gulen, como outros opositores, acusa Erdogan de ter estado por trás do golpe. O grupo oposicionista Stockolm Center for Freedom corrobora essa ideia num relatório.

As autoridades turcas desencadearam purgas contra supostos seguidores de Gulen, bem como opositores pró-curdos e jornalistas.

Desde o fracasso do golpe, cerca de 77 mil pessoas foram presas e mais de 150 mil foram demitidas ou suspensas das suas funções no aparelho de Estado.

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João Gobern

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