Deu à luz gémeas depois de ir cinco vezes ao médico queixar-se de dores

Espanhola queixava-se de dores insuportáveis, mas médicos diziam-lhe que era por causa da obesidade. Quando descobriram a gravidez, estava em trabalho de parto

Carolina e o marido, Gonzalo, queriam ter filhos. Conheceram-se em 2011 e, desde então, já tinham feito vários exames para assegurar a viabilidade de uma gravidez. Mas foram avisados de que a mulher deveria perder peso, tarefa dificultada porque os medicamentos que tomava para a depressão de que sofria a faziam engordar. E já tinham perdido as esperanças.

Aos 38 anos, Carolina padece de obesidade mórbida e, no passado mês de junho, foi ao médico, em Málaga, Espanha, queixando-se de dores insuportáveis nas costas e na barriga. Precisou de voltar mais quatro vezes para lhe fazerem o diagnóstico correto: estava grávida e, na última ida às urgências, já em trabalho de parto. Acabou por dar à luz duas meninas, gémeas, mas está internada nos cuidados intensivos em estado grave e a família apresentou queixa por negligência médica, avança o diário espanhol Sur.

Logo na primeira visita ao médico, Carolina queixou-se de dores e informou o médico de que tinha notado aumento de peso e perda da menstruação. De acordo com a denúncia apresentada pelos familiares, a resposta do clínico foi que tinha de perder peso. Como as dores não passavam, a 1 de agosto foi à urgência do Hospital Clínico Universitário acompanhada pelo marido, com "fortes dores no abdómen" e inflamação nas pernas. Disseram-lhe que tinha lombalgia (dor na região lombar da coluna) e insuficiência venosa (dificuldades na circulação sanguínea) e mandaram-na para casa sem lhe ser feito qualquer exame.

A 10 de setembro regressou ao hospital: as dores não passavam e há quatro meses que não tinha menstruação. Recebeu o mesmo diagnóstico depois de ser observada, lombalgia, e mais uma vez não foi submetida a nenhum exame. Três dias depois, o casal deslocou-se ao centro de saúde: além das dores, Carolina garantia que tinha "uma massa" na região do baixo-ventre, e o médico de família garantia-lhe que se tratava de uma massa de gordura devido à obesidade mórbida, insistindo que deveria fazer dieta. Fez análises e deveria ir buscar o resultado a 6 de outubro.

Mas, de acordo com a versão apresentada pela família na queixa por negligência, já não houve tempo: na madrugada do dia 6 Carolina voltou às urgências a chorar de dores, gritando que queria morrer. Ao examiná-la, a médica detetou um "abcesso" na zona púbica. Foi feito um teste de gravidez que deu positivo e uma ginecologista fez-lhe uma ecografia: apesar da "péssima qualidade da imagem", devido à obesidade da doente, a médica confirmou a gravidez de gémeas e informou que Carolina estava com a dilatação completa e em trabalho de parto.

As crianças acabaram por nascer de cesariana na manhã do dia 6 de outubro. Uma pesava 2.434kg, a outra 2.160kg. Ambas estão bem. Mas a mãe foi internada na unidade de cuidados intensivos, já que sofreu um coágulo no cérebro e outras complicações devido ao parto por cesariana. Foi entretanto transferida de hospital, mas continua com respiração assistida, ainda que se tenha registado uma evolução favorável.

A família solicitou ao tribunal que fosse aberta uma investigação para esclarecer a falta de cuidados. Fontes hospitalares não quiseram comentar o caso, uma vez que o inquérito está a decorrer, mas houve quem apontasse, sob anonimato, que a doente nunca fez referência ao facto de suspeitar que podia estar grávida, queixando-se apenas de dores. "Um médico questiona e pede exames em função daquilo que conta o utente".

A advogada da família diz que Carolina nunca fez um teste de gravidez porque comunicou ao médico que não tinha a menstruação e o facto não foi valorizado. Não terá sentido os movimentos fetais porque estava a tomar medicamentos para a depressão, tranquilizantes que tinham ação também sobre os bebés.

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