Detido por abuso sexual de menores vai ser deputado no congresso brasileiro

Nelson Nahim esteve preso mas foi libertado graças a um habeas corpus. Vai substituir deputada nomeada para assumir o cargo de ministra do Trabalho

A classe política brasileira não dá tréguas aos eleitores. O último escândalo está relacionado com uma substituição no congresso: na próxima semana, quando a deputada Cristiane Brasil do Partido Social Democrático assumir o cargo de ministra do Trabalho, será substituída na câmara dos deputados por Nelson Nahim, um ex-recluso que foi detido depois de ser acusado de tomar parte numa rede de exploração sexual de crianças e adolescentes.

Segundo o Estadão, Nahim foi preso juntamente com outras 12 pessoas em junho de 2016, numa operação do Ministério Público brasileiro e da Polícia Civil. Negando qualquer envolvimento no caso, acabou por ser libertado quatro meses depois, após ser-lhe concedido um habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal.

O deputado é irmão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que também já esteve na prisão durante cerca de um mês no ano passado por "crimes eleitorais", escreve o Estadão.

De acordo com os documentos do tribunal, citados pela imprensa internacional, Nahim, de 60 anos, era cliente regular de uma rede de prostituição na cidade de Campos de Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, entre 2008 e 2009. Esta rede obrigava raparigas menores de idade a manter relações com os clientes e mantinha-as presas, forçando-as a consumir estupefacientes. De acordo com os procuradores que levaram o caso à justiça, Nahim fez sexo com duas adolescentes de 15 anos.

Em 2016, a juíza Daniela de Souza condenou a 12 anos de prisão o agora deputado, que cumpriu apenas os já referidos quatro meses de cadeia.

Nahim defendeu-se no Facebook, escrevendo que iria provar a inocência. "Agradeço a Deus e, ao assumir o mandato de Deputado Federal, vou à luta pela população e mostrarei com documentos minha inocência".

Não é a primeira vez que Nahim assume o lugar de deputado federal em regime de substituição: a primeira vez foi em dezembro de 2015, apenas por um dia, e por duas semanas em janeiro de 2017.

E até a nova ministra do Trabalho não está isenta de polémicas: Cristiane Brasil, que deixa o congresso, é filha de Roberto Jefferson, também este preso na sequência do escândalo do "Mensalão". Ao falar aos jornalistas sobre a nomeação da filha para o governo, Jefferson chorou e disse que a escolha de Cristiane seria "o resgate da família".

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