Detido aos 85 anos Manuel Charlín, o maior traficante de droga galego

Na megaoperação da polícia espanhola foram detidas 22 pessoas. Barco 2,5 toneladas de cocaína foi intercetado perto da ilha da Madeira

Manuel Charlín, de 85 anos, famoso narcotraficante galego e líder do cartel dos "Charlínes", foi preso esta quarta-feira, juntamente com o seu filho Melchor, de 57, numa mega-operação da polícia espanhola. No total foram detidas 22 pessoas envolvidas no tráfico de cerca de 2,5 toneladas de cocaína.

Segundo a agência Efe, a embarcação que transportava os estupefacientes foi intercetada perto da ilha da Madeira mas deveria desembarcar na costa da Galiza. Quatro traficantes - dois espanhóis e dois senegaleses - foram detidos na embarcação, os outros 18 já em terra. A detenção de Manuel Charlín aconteceu na sua própria casa, em Vilanova de Arousa. A polícia chegou cerca das 11:00 da manhã e revistou toda a habitação da família.

Manuel Charlín Gama é um velho conhecido da polícia. No final dos anos 80, os Charlínes dominavam a entrada de cocaína colombiana na Europa. Em 1990, o juiz Baltasar Garzón coordenou a operação Nécora, uma das maiores ações anti-tráfico em Espanha, e apanhou-o. Charlín acabaria por ser absolvido deste caso mas, em 1999 voltou a ser detido por transportar 600 quilos de cocaína da Colômbia para Espanha. Foi condenado a 20 anos de prisão e estave nas prisões de La Lama e de Córdoba, sendo libertado em 2010. Depois disso, ainda foi acusado de abuso sexual de uma menor. A mulher, Josefa Pomares, os filhos de ambos e uma dezena de outros membros da família também já foram presos várias vezes nas últimas décadas.

Antes desta detenção, o seu nome voltou a ser notícia este devido à série televisiva Fariña, baseado no livro de Nacho Carretero que conta a vida de traficante na década de 1980. O ator Antonio Durán 'Morris' interpreta o papel principal. Numa entrevista à estação de televisão espanhola Antena 3, em abril, Charlín queixou-se de que a série exagerava muito a sua atividade mas admitiu: "As pessoas tinham dinheiro, ninguém ia para a cadeia. As pessoas viviam bem; foram bons momentos que não voltarão". A série da Antena 3 está desde o final de julho disponível na Netflix:

Entre os detidos de hoje, encontram-se outros traficantes "históricos" de Espanha, como Jacinto Santos Viñas e José Andrés Boveda Ozores, conhecido como Charly. Viñas encontrava-se em liberdade condicional, cumprindo uma pena de 28 anos por organizar o transporte de um grande carregamento de cocaína para a costa africana em 2004.

Antes disso, já tinha estado preso durante seis anos por ter sido o responsável pelo maior carregamento de haxixe (35 toneladas) apreendido na Galiza. Já Charly era um dos traficantes conhecidos da polícia que nunca tinha conseguido reunir provas suficientes para detê-lo.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?