"Depois de um evento ao ar livre muita gente na Finlândia vai recolher garrafas de plástico"

A viver em Portugal há mais de 20 anos, a finlandesa Katriina Pirnes explica como o seu país natal há muito implementou medidas para reciclar os plásticos. Uma delas passa por cada garrafa de plástico tem um depósito de 20 cêntimos que o consumidor recupera quando a entrega num supermercado.

Em, Portugal, a preocupação com a poluição causada pelos plásticos está agora a ganhar dimensão, mas na Finlândia há muito que as famílias se habituaram a entregar as garrafas de vidro, mas também as de plástico e as latas para receber os 20 cêntimos do depósito.

"Desde a minha infância que as pessoas de facto devolviam as garrafas porque na altura tudo o que era cerveja ou refrigerante ainda vinha em garrafas de vidro. Lembro-me de se devolver as garrafas ao supermercado porque dava dinheiro. As de vidro. Mas hoje em dia tudo tem uma tara: plástico, latas e vidro", explica Katriina Pirnes.

A responsável pela comunicação da embaixada da Finlândia, a viver em Lisboa desde 1996, conta como no seu país há "máquinas nos supermercados que tornam muito fácil o processo de reciclagem". Mas admite que o segredo passa pela "consciência" de cada um. O que não menoriza o facto de que "receber uma pequena compensação financeira ao entregar a garrafa à reciclagem incentiva ainda mais".

Neste momento, o depósito de uma garrafa de água anda pelos 20 cêntimos na Finlândia. Uma quantia pequena mas que mesmo assim mobiliza algumas pessoas. "Há muitas pessoas que depois de grandes eventos ao ar livre, festivais, etc. se dedica a recolher as garrafas de plástico. Ao fim de algumas garrafas faz-se dinheiro".

Quanto aos sacos de plástico, Katriina não se lembra de alguma vez terem sido gratuitos na Finlândia. "Também temos sacos de papel mas aposta-se muitos nos sacos de plástico reciclado e muitas pessoas, como cá, levam o saco de casa".

Palhinhas

Por enquanto as tão faladas palhinhas de plástico, essas, continuam a ser usadas na Finlândia "A ver vamos até quando!", exclama Katriina. E a fuinionária da embaixada em Lisboa recorda que no seu país "já havia esta conversa dos plásticos muito antes de surgirem estas medidas impostas pela União Europeia. E a indústria finlandesa tem vindo a desenvolver soluções que possam substituir os plásticos por uma fonte biodegradável. Nomeadamente soluções vindas da indústria papeleira. Uma delas passa pela produção de copos para café em papel e totalmente biodegradáveis. "Para acabar com a falta de civismo das pessoas que lançam copos para a beira da estrada", explica Katriina.

Após duas décadas a viver em Portugal, a finlandesa garante que os portugueses são bons na reciclagem. "Tem muito a ver com a colocação de ecopontos abundantes, por exemplo na cidade de Lisboa. As pessoas não precisam de se deslocar grandes distâncias para reciclar"

O governo português apresentou hoje as conclusões de um grupo de trabalho sobre plásticos com um pacote de iniciativas para reduzir o impacto da poluição que os compostos sintéticos criam. "Até 2021 Portugal vai ter um sistema de incentivos para quem reciclar estes materiais", disse ao DN o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, antecipando o relatório do grupo de trabalho. E acrescentou: "Uma das principais medidas é a instalação de unidades de recolha em pontos de grande venda de plásticos, como os supermercados. O peso que o consumidor entregar será depois convertido em senhas de compras nesses mesmos estabelecimentos." Uma ideia que o PAN já tinha proposto em maio.

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Nuno Artur Silva

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