Democratas ocupam Câmara dos Representantes para pedir controlo de armas

Manifestação pacífica acontece duas semanas depois do massacre de Orlando e um dia depois do Senado chumbar proposta legislativa de controlo de armas

Os democratas da Câmara dos Representantes, órgão com funções legislativas paralelas às do Senado nos EUA, estão há mais de 20 horas sentados em protesto na sala pedindo a alteração das leis que controlam a venda das armas de fogo nos Estados Unidos.

Desde o início da tarde de quarta-feira, 22 de junho, que os congressistas se manifestam, exigindo a votação de novas leis que tornem obrigatória a verificação dos antecedentes criminais e psiquiátricos dos potenciais portadores de armas. Os democratas pedem igualmente que o porte de arma seja proibido aos indivíduos na lista de suspeitos de terrorismo do FBI.

"Sem projeto de lei não há intervalo" ("No bill, no break", na versão original) é o lema dos manifestantes. No final do dia de ontem, 168 dos 188 congressistas e 34 senadores estiveram reunidos na sala, adianta a BBC.

Ao início da manhã desta quinta-feira, a Câmara suspendeu a sessão, que só será retomada a 5 de julho para a votação relativa à gestão do surto de Zika. A bancada republicana está agora vazia, mas pelo menos 20 democratas permanecem sentados na sala, reporta o The Guardian.

Nancy Pelosi, líder da minoria democrata da Câmara dos Representantes, continua a defender que o grupo se manterá em protesto até que Paul Ryan, presidente do órgão legislativo, agende a votação dos projetos de lei em causa. Até ao momento, os republicanos não mostraram qualquer intenção de o fazer.

"Quantos pais mais terão de derramar lágrimas de tristeza antes que façamos alguma coisa? Dê-nos um voto. Deixe-nos votar. Viemos aqui fazer o nosso trabalho", discursou, no dia de ontem, John Lewis, um dos congressistas que lideram a manifestação.

À medida que se sentavam na zona principal da sala da Câmara dos Representantes, os democratas leram em voz alta os nomes das 49 pessoas mortas na noite de 12 de junho no bar gay "Pulse", em Orlando, na Florida.

A manifestação pacífica acontece quase duas semanas depois do massacre em Orlando, o maior tiroteio em massa da História norte-americana, e um dia após o chumbo pelo Senado da proposta democrata destinada a generalizar a verificação dos antecedentes criminais e psiquiátricos dos consumidores antes da venda de armas.

Durante as últimas horas, os democratas entoaram o hino dos direitos civis We Shall Overcome, desafiaram o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, protestando ruidosamente durante as suas intervenções acerca da legislação laboral em discussão, e quase cederam à violência, tendo a tensão escalado em alguns momentos.

Louie Gohmert, congressista republicano do Texas, enfrentou Corrine Brown, congressista democrata de Orlando, gritando-lhe "o Islão radical matou aquelas pessoas". Lewis e alguns outros representantes foram obrigados a intervir para que a normalidade fosse reposta e não se perdesse o controlo.

Um porta-voz do presidente da Câmara dos Representantes Paul Ryan considerou o protesto "uma façanha publicitária".

Barack Obama, o presidente dos EUA, já agradeceu, através do Twitter, o empenho de Lewis na luta contra a violência das armas de fogo. Hillary Clinton, candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, fez saber que "este é o aspeto da verdadeira liderança." Bernie Sanders, senador que participou nas primárias democratas para a Casa Branca, esteve, por alguns momentos, na Câmara dos Representantes. Debbie Wasserman Schultz, presidente do Comité Democrático Nacional, também esteve presente no protesto.

Jan Schakowsky, congressista democrata, confirmou que alguns membros da National Riffle Association, organização não lucrativa que luta pelos direitos das armas de fogo, apoiam as reformas. "Os republicanos ainda não perceberam que o mundo mudou", disse a congressista.

A manifestação pacífica foi até ao momento acompanhada pelo Periscope por mais de 60 mil pessoas.

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