Morte dos touros proibida na festa Toro de la Vega

O popular espetáculo taurino de Tordesilhas pode ficar em risco de desaparecer

O governo da comunidade autónoma de Castela e Leão, Espanha, decretou a proibição de matar o touro na presença de espetadores em espetáculos taurinos populares e tradicionais. Quer isto dizer que o ponto alto das festas Toro de La Vega, que se realizam anualmente em Tordesilhas, já não pode acontecer este ano.

O Toro de la Vega é uma tradição de origem medieval em que o animal é perseguido por dezenas de picadores e lanceiros até à morte. Declarada evento de interesse turístico em 1980 e espetáculo taurino tradicional em 1999, esta festa tem estado sob grande polémica nos últimos anos devido aos protestos de associações de defesa dos direitos dos animais.

O decreto-lei agora aprovado entra amanhã em vigor. A festa não está proibida, apenas a morte do animal na presença de espectadores, mas os defensores desta tradição consideram que o seu fim poderá acabar com os festejos, que acontecem em setembro em Tordesilhas.

Rompesuelas foi o último touro a ser morto nestas festas, em setembro do ano passado. Demorou, segundo o El País, 20 minutos a cair inanimado, mas o júri do torneio considerou a morte nula uma vez que não se cumpriram as regras.

A decisão de proibir a morte do touro destina-se "a proteger a tradição" e "adaptá-la à sociedade e sensibilidade do século XXI", segundo explicou um conselheiro ao ABC. A morte do touro nestas festas constituía, segundo o El Norte de Castilla, uma exceção ao Regulamento de Espetáculos Taurinos na região.

O torneio já esteve proibido entre 1966 e 1970, após a divulgação de umas imagens muito fortes nos noticiários emitidos antes da exibição dos filmes nas salas de cinema nos anos 50.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.