Declaração unilateral de independência gera divisões no governo catalão

Puidgemont diz que após o referendo se abre processo de diálogo. CUP avisa que declaração unilateral está na lei que aprovaram

As atenções estão centradas no referendo independentista de 1 de outubro na Catalunha e nas medidas tomadas pelo governo espanhol para impedir a sua realização, mas a grande questão é saber o que vai acontecer no dia 2. É aí que surgem as divisões dentro do próprio bloco independentista, em especial no que diz respeito à eventual declaração unilateral de independência.

O presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, foi o primeiro a dizer que após a consulta abre-se um processo de diálogo, afastando essa medida drástica. "A primeira coisa que farei é um apelo formal ao diálogo com o Estado espanhol e, obviamente, com a União Europeia", disse à televisão francesa LCI. "Se a vontade da Catalunha é ser um país independente, começará a andar como país independente. Mas, antes de mais, queremos fazer este processo acordado, dialogado", acrescentou, dizendo que será "fundamental" para Madrid "acordar a forma de gerir a transição".

Ontem, o porta-voz parlamentar do Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCat), Carles Campuzano, confirmou que está "absolutamente descartada" uma declaração unilateral de independência, visto que esta "não figura" na plano do partido ao qual pertence Puigdemont. Em conferência de imprensa lembrou que "a independência da Catalunha não se materializa em três dias" e requer "um processo de negociação com o Estado".

Mas a Candidatura de Unidade Popular (CUP, independentistas radicais que apoiam o governo da Generalitat) lembrou que a declaração de independência está prevista na Lei do Referendo, aprovada no início do mês no Parlamento. "Não haverá uma rutura automática, há uma série de aspetos partilhados com o Estado que têm que se ir resolvendo, mas nas leis está muito claro", indicou a porta-voz da CUP, Anna Gabriel, falando numa vitória do "sim" no domingo. Caso ganhe o "não" está prevista a convocação de eleições autonómicas. "Queremos fazer o referendo e atuar em conformidade. Um referendo convoca-se para que seja vinculativo, não para que seja uma pantomima de participação", acrescentou à La Sexta.

Já a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que junto com o PDeCat e associações da sociedade civil forma a coligação Junts pel Sí, não põe de lado a declaração unilateral de independência. "Apesar de Carlos Campuzano dizer que está totalmente descartada a DUI, a última palavra seria do Parlamento e do Governo [da Catalunha]", escreveu no Twitter o porta-voz parlamentar da ERC, Joan Tardà. "Agora, é hora de ganhar o 1-O", indicou, referindo-se à data do referendo, 1 de outubro.

Ordens para selar locais de voto

O procurador da Catalunha, José María Romero de Tejada, deu ordens aos Mossos d"Esquadra para que selem logo a partir de sexta-feira as escolas, institutos ou centros cívicos que devem ser vir de locais de voto, vigiando-os até ao final do dia do referendo. O voto também não deve ser autorizado nas ruas, num raio de cem metros desses locais. A polícia catalã teme problemas de ordem pública. Ontem, os agentes percorreram os centros, identificando responsáveis e questionando sobre instruções que tenham recebido para a consulta.

Estas novas ordens colocam ainda mais pressão sobre os Mossos d"Esquadra e o seu líder, Josep Lluís Trapero, que estão a ser "coordenados" desde sábado por um coronel da Guardia Civil vindo de Madrid, contra a vontade tanto do governo como da polícia catalã. A Generalitat anunciou entretanto ter pedido um "requerimento de incompetência" contra Diego Pérez de los Cobos, nomeado para coordenar os Mossos, assim como a Guardia Civil e a Polícia Nacional. Para o governo, foi criado um órgão de coordenação que é contrário ao Estatuto da Catalunha.

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