Cunhado do rei de Espanha tem cinco dias para dar entrada na prisão

O cunhado do rei de Espanha tem cinco dias para se apresentar na prisão que escolher para cumprir uma pena de cinco anos e dez meses pelo seu envolvimento no caso Nóos de corrupção.

Iñaki Urdangarin levantou hoje pessoalmente no tribunal de Palma de Maiorca o mandado de prisão, depois de na terça-feira o Supremo Tribunal ter reduzido a pena aplicada inicialmente por um juiz dessa Comunidade Autónoma por delito de peculato, invasão, fraude à administração e crimes fiscais.

Segundo a justiça espanhola, o marido da infanta Cristina, irmã de Felipe VI, utilizou as suas ligações à família real para ganhar concursos públicos para organizar, entre outros, eventos desportivos, tendo em seguida desviado fundos para a Aizoon, uma empresa que geria em conjunto com esposa e utilizava para financiar o seu estilo de vida luxuoso.

Iñaki Urdangarin tem ainda a possibilidade de adiar essa entrada em prisão, no caso de avançar com um recurso junto do Tribunal Constitucional, mas a maior parte dos observadores consideram improvável esta opção.

A Casa Real espanhola reafirmou na terça-feira o seu "respeito absoluto pela independência do poder judicial", depois de ter tomado conhecimento da decisão do Supremo Tribunal.

Desde o início do reinado de Felipe VI que a Casa Real tem manifestando o seu respeito pela independência dos tribunais em todas as fases do processo judicial Nóos.

Alguns jornais espanhóis avançam que a infanta Cristina de Bórbon estaria a ponderar uma eventual mudança de residência para Lisboa, com os filhos Juan, Pablo, Miguel e Irene, para estar mais próximo do marido, que poderia dar entrada numa prisão da Comunidade Autónoma da Extremadura, vizinha de Portugal.

A família vive desde 2013 em Genebra (Suíça), para se afastar da atenção mediática permanente que teria, no caso de se manter em Espanha.

De acordo com o El País, a infanta Cristina poderia trabalhar na Lapa, no centro de Lisboa, na sede da Fundação Aga Kahn, visto já trabalhar para a mesma instituição em Genebra.

A família Borbón sempre esteve ligada à capital portuguesa, tendo aí residido o conde de Barcelona (avô de Cristina) no exílio e o seu filho Juan Carlos (pai e rei emérito espanhol).

Na terça-feira, o Supremo Tribunal espanhol também reduziu a quantia que a magistratura de Palma de Maiorca tinha imposto à infanta Cristina, pela sua responsabilidade civil a título lucrativo no caso Nóos, de 265.088 euros para 136.950 euros.

Inaki Urdangarin tinha sido inicialmente condenado a seis anos e três meses de prisão e ao pagamento de uma multa de 512.553 euros por enriquecimento com dinheiros públicos através de um esquema fraudulento feito pelo Instituto Nóos, que fundou e dirigiu entre 2004 e 2006.

A decisão do juiz foi conhecida 11 anos depois do início do caso, quando um deputado socialista pediu explicações pelos custos elevados de um fórum sobre turismo e desporto organizado por Iñaki Urdangarin para o Governo Regional das Ilhas Baleares.

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