"Grande explosão". Coreia do Norte destruiu local de testes nucleares

Instalações estão situadas em Punggye-ri, região pouco povoada do nordeste do país

A Coreia do Norte afirma ter destruído esta quinta-feira o seu local de testes nucleares, em Punggye-ri, A ação visa também continuar o melhoramento de relações e ambiente na península coreana, bem como aliviar as tensões com os EUA.

Diz o Washington Post que vários jornalistas no local ouviram uma "grande explosão". No local estarão repórteres russos, chineses, sul-coreanos, britânicos e norte-americanos. Terão ficado a quase 460 metros de distância.

As explosões ocorreram nas profundezas das montanhas no local pouco povoado no nordeste do país, centrando-se em três túneis no subsolo e em várias torres de observação na área circundante.

O desmantelamento deste local de testes nucleares já havia sido anunciado anteriormente pelo líder Kim Jong-un, e ocorre antes da planeada cimeira com o Presidente dos EUA, Donald Trump, no próximo mês.

Mike Pence fez comentários "idiotas e estúpidos", dizem norte-coreanos

A demolição acontece após a Coreia do Norte criticar o vice-Presidente norte-americano, Mike Pence.

Uma alta responsável da diplomacia norte-coreana classificou esta quinta-feira de "idiotas e estúpidos" os comentários do vice-Presidente norte-americano e avisou que a Coreia do Norte pode reconsiderar a cimeira planeada com o Presidente Donald Trump.

"Não posso esconder a minha surpresa perante as observações idiotas e estúpidas vindas da boca do vice-Presidente norte-americano", salientou a vice-ministra norte-coreana dos Negócios Estrangeiros, Cheo Son-hui, em declarações citadas pela agência de notícias oficial do país, a KCNA.

A governante norte-coreana referia-se a uma entrevista ao vice-Presidente norte-americano, Mike Spence, no canal de televisão Fox News, na segunda-feira, e na qual este afirmava que o processo de desnuclearização da Coreia do Norte podia seguir o modelo da Líbia, que terminou com a morte de Muammar Kadhafi, após este ter renunciado ao projeto de construir a bomba atómica.

A decisão da Coreia do Norte de encerrar o local de testes nucleares de Punggye-ri tem sido geralmente vista como um gesto positivo de Kim para dar um tom positivo antes da cimeira com os Estados Unidos.

Mesmo assim, não é uma medida irreversível e precisaria de ser seguida por muitas medidas mais significativas para atender às exigências de Trump para uma verdadeira desnuclearização.

A Coreia do Norte não convidou inspetores internacionais para a cerimónia de desmantelamento do campo de testes, o que limita o seu valor como uma concessão séria.

Também recentemente, o plano de cimeira EUA-Coreia do Norte apresentou uma série de problemas, já que os dois lados começaram a trocar farpas e tomar posições mais duras.

Donald Trump reuniu-se na terça-feira com o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, na Casa Branca para consultas e sugeriu que a cimeira poderia ser adiada ou mesmo cancelada por completo.

Mesmo assim, os dois lados ainda parecem querer realizar a reunião, o que seria sem precedentes.

Com Lusa

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

"Gilets jaunes": se querem a globalização, alguma coisa tem de ser feita

Há muito que existe um problema no mundo ocidental que precisa de uma solução. A globalização e o desenvolvimento dos mercados internacionais trazem benefícios, mas esses benefícios tendem a ser distribuídos de forma desigual. Trata-se de um problema bem identificado, com soluções conhecidas, faltando apenas a vontade política para o enfrentar. Essa vontade está em franco desenvolvimento e esperemos que os recentes acontecimentos em França sejam mais uma contribuição importante.

Premium

Opinião

Investimento estrangeiro também é dívida

Em Abril de 2015, por ocasião do 10.º aniversário da Fundação EDP, o então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmava que Portugal "precisa de investimento externo como de pão para a boca". Não foi a primeira nem a última vez que a frase seria usada, mas naquele contexto tinha uma função evidente: justificar as privatizações realizadas nos anos precedentes, que se traduziram na perda de controlo nacional sobre grandes empresas de sectores estratégicos. A EDP é o caso mais óbvio, mas não é o único. A pergunta que ainda hoje devemos fazer é: o que ganha o país com isso?