Corbyn defende eleições antecipadas para sair do impasse do Brexit

Líder do Labour fez esta manhã discurso sobre o acordo do Brexit. Admitiu moção de censura contra o governo de May se o texto for chumbado, na terça-feira, dia 15. Mas não se compromete com o prazo em que o faria. Jeremy Corbyn prefere eleições antecipadas a um segundo referendo sobre a saída do Reino Unido da UE

Eleições antecipadas. Não um segundo referendo. Esta é, para o líder do Labour, Jeremy Corbyn, a melhor solução para fazer o Reino Unido - e a União Europeia - sair do atual impasse que existe à volta do acordo do Brexit.

"Se o governo não conseguir que este texto extremamente importante seja aprovado, então devia haver eleições, o quanto antes. Para sair do bloqueio, as eleições não só são a opção mais realista, como também a mais democrática", disse o líder da oposição trabalhista, esta quinta-feira de manhã, num discurso que fez numa fábrica de componentes elétricos em Wakefield.

Na terça-feira o Labour vai votar contra o acordo do Brexit fechado em novembro entre Londres e a UE27, levando a primeira-ministra, Theresa May, a sofrer uma pesada derrota, se aos trabalhistas se juntarem também os rebeldes conservadores e os deputados do DUP (partido unionista da Irlanda do Norte).

Espera-se depois que o Labour inicie movimentações para provocar eleições no Reino Unido. Na quarta-feira, o ministro sombra do Comércio Internacional, Barry Gardiner, disse à BBC Radio 4 que isso seria feito "imediatamente". Mas esta manhã no discurso que fez no norte de Inglaterra, Corbyn pôs água na fervura, descrevendo o que pretende fazer mais em detalhe.

O Labour, disse Corbyn, irá " apresentar uma moção de censura contra o governo no momento em que achar que tem a melhor hipótese de ela ser bem sucedida. Claramente, o Labour não têm deputados suficientes para fazer passar sozinho uma moção de censura. Então, os restantes membros da Câmara [dos Comuns] devem votar ao nosso lado para pôr quebrar este impasse".

Um tal cenário seria mais difícil, uma vez que, no passado, os rebeldes conservadores eurocéticos já indicaram que apoiariam May num cenário de moção de censura do Labour de Corbyn e a chefe do governo britânico alertou esses mesmos rebeldes de que "a pior ameaça para este país [Reino Unido] não é sair da UE. É um governo Corbyn".

Analisando o discurso do líder da oposição trabalhista, Norman Smith, editor adjunto de Política da BBC, escreveu no Twitter: "Então, o que aprendemos com o discurso de Corbyn: 1. Não esperem uma moção de censura logo no dia a seguir à rejeição do acordo conseguido pela primeira-ministra. 2 - Jeremy Corbyn não deseja de forma alguma a realização de um segundo referendo" sobre o Brexit.

A Câmara dos Comuns voltou a debater o acordo do Brexit esta terça-feira e a votação do documento, sobre o qual foram já apresentadas e votadas algumas emendas importantes, está prevista para dia 15. Esta tarde o debate no Parlamento britânico é retomado com a intervenção de Michael Gove, atual ministro do Ambiente, Segurança Alimentar e Assuntos Rurais. Durante muito tempo considerado um possível sucessor de May, Gove apoiou a primeira-ministra aquando da moção de desconfiança interna do Partido Conservador (a qual ela ganhou em dezembro), sublinhando que não é candidato ao seu lugar.

Um outro potencial sucessor, Boris Johnson, ex-ministro de May para o Brexit, ex-jornalista e correspondente durante anos em Bruxelas, conhecido eurocético, fala esta tarda em Dublin, na República da Irlanda, no âmbito do Pendulum Summit, uma cimeira internacional sobre negócios e empreendedorismo. Resta ver se falará - ou não - sobre o Brexit.

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