Conselheiro de Trump escreveu filme sobre "Estados Islâmicos da América"

Guião de Bannon fala de uma "importante colisão entre civilizações" e critica o crescimento do islamismo nos Estados Unidos

Steve Bannon, o conselheiro e chefe de estratégia da Casa Branca de Donald Trump e uma das escolhas mais polémicas da nova administração, escreveu há 10 anos um esboço de um guião de um documentário em que falava do perigo da islamização dos Estados Unidos. No guião, é usada a expressão "Estados Islâmicos da América".

Numa das primeiras cenas no esboço, obtido pelo Washington Post, aparece a imagem do edifício do Capitólio com uma bandeira que, em vez de ter as faixas e estrelas que representam os Estados Unidos, tem uma lua crescente e uma estrela, um símbolo do islamismo. Logo a seguir ouve-se "Allahu Akhbar", a chamada para a oração dos muçulmanos, e aparece no ecrã a frase "Estados Islâmicos da América".

O título do filme documentário, que não chegou a ser produzido, era Destroying the Great Satan: The Rise of Islamic Facism [sic] in America (Destruindo o Grande Satanás: A Ascensão do Islamismo Fascista na América, numa tradução literal para português).

Bannon surge nos créditos do esboço do guião - que tem oito páginas - como realizador do filme e co-autor, ao lado de Julia Jones, uma amiga e parceira de negócios. Os dois escreveram a obra em 2007, quando Bannon era produtor de filmes em Hollywood.

Excerto do guião

Segundo o Washington Post, o documentário seria dividido em três partes: "a cultura da intolerância" da lei islâmica; a "quinta coluna" - expressão usada para grupos destabilizadores - composta pela frente islâmica; e uma última parte em que seriam identificados os norte-americanos que estão a abrir caminho para "esta estrada para o inferno na terra".

Julia Jones confirmou a autenticidade do guião e disse ao jornal norte-americano que o projeto era principalmente de Bannon. "Todas as palavras eram dele", afirmou Jones.

No guião é referido que o mundo caminha para uma "importante colisão entre civilizações", uma ideia que Bannon expressou também em várias publicações do site Breitbart News, que dirigia.

Numa conversa com um grupo do Vaticano em 2014, publicada pelo BuzzFeed, o chefe de estratégia disse que "estamos em guerra com o islamismo jihadista fascista".

"Acredito que temos de tomar uma posição muito, muito, muito agressiva em relação ao islamismo radical", acrescentou na mesma ocasião.

Bannon foi um dos colaboradores de Trump que ajudou a escrever o decreto assinada pelo presidente que bania a entrada de migrantes de sete países muçulmanos, segundo o Washington Post. O conselheiro, de 62 anos, tem sido acusado de antissemitismo e de ser próximo dos supremacistas brancos.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.