Ataque no Afeganistão faz pelo menos 12 mortos

O ataque deste domingo contra um centro de registo eleitoral no Afeganistão fez ainda 33 feridos

Pelo menos 12 pessoas morreram e outras 33 ficaram feridas num ataque perpetrado hoje contra um centro de registo eleitoral na região leste do Afeganistão, segundo novas informações avançadas pelas autoridades locais.

As informações iniciais sobre este ataque davam conta de que pelo menos 30 pessoas tinham morrido ou tinham ficado feridas na explosão de uma bomba num centro de registo para as eleições legislativas e regionais no Afeganistão, previstas para 20 de outubro.

O centro estava montado numa tenda dentro do recinto de uma mesquita.

"Uma multidão de pessoas que estava a sair da mesquita juntou-se e estava a registar-se" para as eleições, contou, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP), o chefe da polícia da província de Khost, Abdul Hanan.

O diretor-adjunto dos serviços de saúde da província de Khost, Gul Mohammad Mangal, confirmou, também à AFP, que o atentado fez pelo menos 12 mortos e 33 feridos, admitindo que o balanço de vítimas pode ainda aumentar.

Este novo incidente acontece alguns dias depois de vários ataques no Afeganistão terem matado várias dezenas de pessoas, incluindo 10 jornalistas

"Alguns feridos estão em estado crítico e as ambulâncias continuam a trazer pessoas", relatou o responsável.

Este novo incidente acontece alguns dias depois de vários ataques no Afeganistão terem matado várias dezenas de pessoas, incluindo 10 jornalistas.

No passado dia 22 de abril, um atentado suicida reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra um outro centro de registo eleitoral, desta vez na capital do país (Cabul), matou cerca de 60 pessoas.

Estes recentes ataques contra os centros de registo eleitoral fazem recear uma vaga de violência por ocasião das eleições

As autoridades afegãs esperam registar 14 milhões de afegãos adultos nos próximos meses, para que possam votar nas eleições de outubro, que serão as primeiras naquele país desde 2010.

Estes recentes ataques contra os centros de registo eleitoral fazem recear uma vaga de violência por ocasião das eleições.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.