Condenada a prisão por desligar chamadas de emergência

Ex-funcionária do serviço de urgência 911, dos EUA, (o equivalente ao 112) foi condenada a 10 dias de prisão por desligar sistematicamente as chamadas de emergência

Crenshanda Williams, de 44 anos, ex-funcionária do serviço de urgência 991 (o equivalente ao 112 em Portugal) foi condenada a 10 dias de prisão e 18 meses em liberdade condicional por desligar as chamadas telefónicas de cidadãos que ligavam a pedir ajuda ou a relatar alguma situação de emergência.

"Os cidadãos de Harris County confiam nos operadores do 911 para disponibilizarem ajuda quando precisam. Quando um funcionário público trai a confiança da comunidade e viola a lei, temos a responsabilidade de responsabilizá-lo criminalmente", argumentou Laureen Reeder, a procuradora assistente, num comunicado.

De acordo com o tribunal, Creshanda Williams desligava sistematicamente chamadas de emergência, que incluíam "relatos de roubo, veículos em excesso de velocidade e assassinatos", conforme mostram os relatórios.

As autoridades constataram através de gravações que a norte-americana era uma operadora com um registo anormal de chamadas curtas, que duravam não mais do que 20 segundos. Chamadas essas que foram atribuídas a Williams entre outubro de 2015 e março de 2016.

Numa das chamadas, Creschanda Williams foi apanhada a dizer: "Ninguém tem tempo para isso". E logo depois desligou.

À estação de televisão ABC, o advogado da antiga operadora do 911 explica que não se tratou de um ação maldosa da sua cliente.

A defesa argumenta que Creschanda desligava as chamadas porque não estava pronta para as atender no seu posto de trabalho e que nunca pensou que esta ação terminasse com a ligação. Acreditava que a chamada passava para outra operadora que já estaria pronta a receber os telefonemas no serviço central de atendimento do 911 de Houston.

O tribunal não acreditou nesta versão e condenou a norte-americana.

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?