Comunistas dão luz verde a coligação Unidos Podemos

Comunistas da Esquerda Unida apostam num segundo lugar nas eleições de domingo e acreditam que PSOE terá que decidir se apoia ou não aliança de Iglesias e Garzón

Alberto Garzón gosta de se afirmar comunista mas nas eleições legislativas de domingo o partido que dirige, a Esquerda Unida (IU), concorre numa candidatura conjunta com o Podemos de Pablo Iglesias, a coligação Unidos Podemos. O secretário geral da Esquerda Unida, partido em que cerca de 50% dos 25 mil militantes são do Partido Comunista Espanha, diz: "Sou comunista mas Unidos Podemos não". Partindo desta afirmação, concordam os militantes comunistas com esta coligação pré-eleitoral? Sentem-se bem representados com o líder da formação de cor roxa, Pablo Iglesias?

Alba Pérez, de 26 anos, militante comunista desde os 18, explica ao DN que "existe muita expectativa entre a militância comunista. Há vontade de partilhar o projeto de mudança e agora sentimos que a esquerda está unida e antes estávamos sozinhos". Os seus pais também foram militantes e agora são simpatizantes. Durante as campanhas Alba participa em diferentes tarefas da vida partidária. "Organizo atos mas também colo os cartazes nas ruas durante a noite". Esta jovem cursou Ciências Políticas onde teve Pablo Iglesias como professor . Atualmente está desempregada.

Para Alba a chegada de Alberto Garzón à liderança da IU "foi uma lufada de ar fresco necessária a um compromisso comunista forte". Ela participou na preparação do sufrágio universal entre os militantes para escolher a direção do partido. "Foi difícil porque havia pessoas que estavam contra, mas valeu a pena".

Como jovem comunista acredita que com Garzón a mensagem do partido está a chegar melhor. "Ele acabou com o fantasma do comunismo mau e reivindica a condição comunista da IU. Em pouco tempo cresceu o número de militantes", sublinha. Considera que as ideias e políticas comunistas podem fazer bem ao país. "Pela foça dos militantes, o compromisso com uma sociedade mais justa, fazer entender que todas as vidas valem o mesmo e sobretudo dignificar o trabalho". E Pablo Iglesias encaixa nesse projeto? "Também participou nele. É um comunicador político muito bom e um estratega fantástico".

O que vai acontecer domingo? "É evidente que vamos superar os votos dos socialistas e o PSOE vai ter que decidir algo importante, se nos apoia ou não. Vamos ter um resultado histórico da esquerda", afirma a jovem. Não se importa ter que negociar com os socialistas porque "há muitas pessoas do PSOE que são de esquerda e a militância socialista vai ter que pressionar Pedro Sánchez para chegar a um acordo". E nesse hipotético futuro governo de esquerda, "Alberto Garzón deveria ser o ministro da Economia".

José Moreno, de 42 anos, considera que "era necessário juntar forças com o Podemos para acabar com o bipartidarismo". O militante comunista e da IU, professor da escola primária, Moreno é um dos muitos espanhóis que ficaram desempregados com a austeridade. O seu pai foi militante comunista quando trabalhou na Alemanha e ele já é militante há muitos anos. Ajuda no partido, mesmo sem ter uma tarefa concreta. Apoia a candidatura conjunta Unido Podemos porque o objetivo é evidente, "superar o PSOE e se calhar o PP. As sondagens são fotografias, podem não estar certas mas tudo indica que estamos a crescer".

Moreno explica que dentro da IU há visões políticas diferentes, porque é "uma organização plural" mas a chegada de Garzón à direção reforçou "a linha comunista". Sublinha a importância de saber transmitir a mensagem: "algo que conseguimos com Garzón". As pessoas, diz, podem estar de acordo ou não com as ideais mas ele é uma pessoa respeitada e é coerente". Sobre o Podemos reconhece que "se construiu de forma muito acelerada e foi desenvolvendo a sua mensagem. É certo que devia ser mais nítida". O Podemos, admite, soube captar melhor o descontentamento do 15-M do que a IU. Sobre futuros acordo pós-eleitorais, "não entra nas nossas contas juntar-nos ao Ciudadanos, um partido de direita. Só resta dialogar com o PSOE", esclarece.

Madrid

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