Como é que Trump 'twitou' da China, onde as redes sociais estão bloqueadas?

Presidente dos EUA não só fez atualizações na rede social como até mudou a imagem de capa. Ativistas estão furiosos

Trump aterrou ontem, quarta-feira, na China, para uma visita oficial de dois dias, parte da digressão de 12 dias do presidente dos EUA pela Ásia. Uma das questões que imediatamente se levantou, e visto a China bloquear o acesso a inúmeros sites, nomeadamente redes sociais, estava relacionada com o Twitter: como iria Trump utilizar aquele que parece ser o seu instrumento favorito na estratégia de política externa (e interna)?

No entanto, e ao contrário do que previam muitos internautas, que esperavam um silêncio pouco habitual de Trump no Twitter, não foi isso que aconteceu. Aliás, desde o momento em que aterrou, Trump 'twittou' variadíssimas vezes, nomeadamente para agradecer a hospitalidade ao presidente chinês que, garantiu, ele e Melania nunca irão esquecer.

Como é que isto aconteceu? Simples, explica a BBC. Ainda que na China várias plataformas de redes sociais estejam bloqueadas, do Twitter ao Facebook, Instagram e Whatsapp - bem como outros sites que as autoridades não considerem adequados - não é a primeira vez que os censores afrouxam as regras, decisão que tem valido ao governo acusações de parcialidade. A Xinua, agência estatal de notícias chinesa, por exemplo, usa o Twitter para partilhar artigos.

Antes da chegada de Trump a Pequim, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Zheng Zeguang, garantiu aos jornalistas que acompanham a viagem do presidente que Trump poderia usar o Twitter tantas vezes quantas quisesse, declarações que receberam críticas dos ativistas de direitos humanos. À Bloomberg, a diretora da Human Rights Watch na China, Sophie Richardson, disse mesmo: "Se o presidente Trump consegue 'twittar' da China é porque goza de privilégios que o presidente Xi sistematicamente recusa às pessoas por todo o país".

A BBC revela que os repórteres que acompanham Trump descobriram que conseguem aceder ao Twitter usando nos smartphones redes 3G ou 4G com um cartão estrangeiro em roaming. Mas, na prática, as altas personalidades que visitam a China são normalmente aconselhadas a não usar os próprios telemóveis ou computadores portáteis no país, pelo que Trump não estará a escrever no Twitter com o próprio smartphone, mas não foram fornecidos detalhes de como o presidente dos EUA estará a aceder à internet em segurança.

Desde que chegou à China, Trump mudou mesmo a foto de capa no Twitter para uma imagem em que surge acompanhado pela mulher e o casal presidencial chinês, após um espetáculo a que todos assistiram na Cidade Proibida em Pequim.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.