Coca-Cola na máquina da verdade: produz 200 mil garrafas de plástico por minuto

Volume de produção de plástico da empresa é pouco amiga do ambiente e corresponde a um quinto da produção mundial de garrafas PET.

A revelação chegou através de um relatório enviado pela Coca-Cola à organização sem fins lucrativos Ellen MacArthur Foundation, que está a pedir às grandes empresas que acabem com o sigilo sobre a sua pegada ambiental. E, quanto a isto, a empresa que vende um dos mais conhecidos refrigerantes do mundo tem um longo caminho a percorrer. Segundo o The Guardian, é a primeira vez que os números de produção de plástico são conhecidos, depois de a empresa se ter recusado a apresentá-los no ano passado. Por ano, são produzidas três milhões de toneladas de embalagens, nada menos que 200 mil garrafas por minuto.

Apesar dos dados enviados pela empresa, a fundação traduziu a pegada de plástico em garrafas PET (polímero termoplástico) de 500 mililitros e os resultados são ainda mais alarmantes. Assim sendo, a produção não é de três milhões, mas de cerca de 108 bilhões de garrafas por ano, o que equivale a um quinto da produção mundial de garrafas PET (cerca de 500 bilhões por ano).

Mas a Coca-Cola não é a única empresa a submeter-se à máquina da verdade. Há mais trinta que enviaram os seus dados de produção à organização Ellen MacArthur. Entre estas, encontram-se a Mars, a Nestlé e a Danone que, combinadas, produzem oito milhões de toneladas de embalagens. Mas são 150 as que aderiram ao compromisso e a maioria ainda se recusa a divulgar publicamente as estatísticas. Este lote inclui empresas como a Pepsi, a H&M, a L'Oréal, a Walmart, a Marks & Spencer e a Burberry.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a fundação disse estar confiante que a iniciativa abre uma porta a mais transparência ecológica por parte das empresas e ajuda na luta contra o desperdício de plástico. "A decisão de mais de 30 empresas divulgarem publicamente os seus volumes anuais de embalagens plásticas é um passo importante para uma maior transparência", mas é preciso fazer mais, sublinham.

A eliminação das embalagens de plástico desnecessárias (bem como a transição para material descartável), para que estas possam ser 100% recicladas e recicladas com facilidade e segurança até 2025, é um dos grandes objetivos da organização com este acordo que estabeleceu com as empresas.

De acordo com o membro da fundação, Sander Defruyt, "ainda estão longe" de resolver o problema, "particularmente quando se trata de eliminação de itens desnecessários e inovação em direção a modelas de reutilização". Mas é preciso "passar do compromisso à ação".

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