Cinco figuras que a corrupção fez cair em desgraça

Os espanhóis voltam as costas à elite corrupta e a todos os que durante anos optaram por fechar os olhos à corrupção. De Aguirre a Barberá, passando por Urdangarín, os casos multiplicam-se

Durante anos, os seus nomes foram referências no mundo da política, economia ou desporto. Porém, a corrupção acabou por turvar quase todas as suas conquistas. Mesmo nos casos em que ainda não foram provadas as acusações, só o facto de afetarem pessoas próximas de si os abalou.

Esperanza Aguirre - Mulher forte do PP forçada a sair de cena

A primeira mulher a ser presidente de uma comunidade autónoma e a ocupar a presidência do Senado na história de Espanha, Esperanza Aguirre tem 65 anos. Ministra da Educação e da Cultura com José María Aznar, presidente da Comunidade de Madrid de 2003 a 2012, com maiorias absolutas e presidente do seu partido em Madrid, Aguirre é uma das figuras políticas mais importantes de Espanha. Durante os últimos anos houve pessoas do seu círculo próximo relacionadas com casos de corrupção, sendo o suposto financiamento ilegal do PP em Madrid um dos assuntos que mais danos lhe causou, sem estar provado o seu envolvimento. A saída de cena de Aguirre (que até há dias ocupava o cargo de porta--voz e conselheira do Partido Popular na Câmara Municipal de Madrid) aconteceu depois da detenção de Ignacio González, por desviar fundos públicos para contas no estrangeiro. Foi ele o seu número dois na Comunidade de Madrid e a pessoa que ela deixou à frente do governo regional depois da sua saída, por motivos de saúde, em 2012.

Jordi Pujol - Referência catalã admitiu fortuna oculta

Presidente da Generalitat, o governo catalão, durante 23 anos, Jordi Pujol é uma referência na região. Esteve no poder com cómodas maiorias e sem o desgaste que vivem muitos políticos. Símbolo do catalanismo, a sua trajetória política esteve marcada pela sua capacidade de chegar a acordos com forças políticas não catalãs no Parlamento espanhol. Em 2014, Jordi Pujol, de 86 anos, reconheceu publicamente que a sua família teve fundos ocultos em paraísos fiscais durante décadas. Meses antes, conheciam-se diferentes escândalos de vários dos seus sete filhos por tráfico de influências num caso de adjudicações públicas. Há uma semana, o seu filho primogénito, Jordi Pujol Ferrusola, ingressou na prisão pela suposta evasão fiscal de 30 milhões de euros. Corrupção, fraude e branqueamento de capitais na família de quem foi o símbolo da Catalunha e considerado um político honesto. Também a família política de Pujol, a extinta CDC, está envolvida em casos de corrupção. Famoso ficou o pagamento de 3% de comissões por empresas ao partido em troca de contratos públicos.

Rodrigo Rato - O ex-líder do FMI que se arrisca a acabar na prisão
O brilhante percurso político e económico de Rodrigo Rato, de 68 anos, caiu por terra, em abril de 2015, quando foi detido por fraude e branqueamento de capitais. O ex-vice-primeiro--ministro espanhol, ex-diretor--geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-presidente do Bankia foi investigado pela Procuradoria de Madrid por alegado branqueamento de capitais. A boa imagem de Rodrigo Rato, ícone do PP e homem-forte da recuperação económica de Espanha entre 1996 e 2000, começou a desvanecer. Também foi investigada a sua conduta enquanto dirigente do Bankia - nomeadamente no que toca à aprovação da entrada do banco na Bolsa - e no caso dos cartões de crédito fantasmas para quadros do banco. Aí, foi condenado a quatro anos de prisão. Por agora, conseguiu evitar ir para cadeia, encontrando-se a aguardar a avaliação do recurso interposto junto do Supremo Tribunal. No final de 2003, o seu nome era um dos mais falados para suceder a Aznar na liderança do PP, mas o seu percurso profissional acabou por seguir um caminho bem diferente.

Iñaki Urdangarín - O desportista que envergonhou a família real
Ex-capitão da seleção espanhola de andebol, Iñaki Urdangarín casou em 1997 com a infanta Cristina, a filha mais nova do rei Juan Carlos.Durante anos foram considerados um casal-modelo, pais de quatro filhos. Mas o nome de ambos acabou por ser envolvido num novo caso de corrupção que, pela primeira vez, levou ao banco dos réus um membro da Casa Real espanhola. A investigação teve início em 2006, quando o jornal El Mundo denunciou pagamentos indevidos feitos ao Instituto Nóos, uma fundação dedicada ao desporto e sem fins lucrativos com sede em Palma de Maiorca, fundada e presidida por Iñaki Urdangarín entre 2004 e 2006. Só em 2011 teria início a investigação oficial e a acusação foi formalizada em 2014. A 17 de fevereiro deste ano, Urdangarín, de 49 anos, foi condenado a seis anos e três meses de prisão por prevaricação, fraude, tráfico de influências e a uma multa de 512 mil euros. Tudo no âmbito do caso Nóos. Mantém-se em liberdade condicional. A infanta Cristina, irmã do rei Felipe VI, foi absolvida no mesmo processo.

Rita Barberá - A senadora que acabou isolada e morreu só

Ex-senadora do Partido Popular e ex-presidente da Câmara de Valência (cargo que ocupou durante 24 anos), Rita Barberá (morreu a 23 de novembro de 2016 com 68 anos) teve um percurso político sempre marcado por suspeitas em vários casos de corrupção. Apesar de estar envolvida em acontecimentos polémicos e de ter sido acusada em várias ocasiões, foi absolvida e só pisou um tribunal dois dias antes da sua morte, de um enfarte. Todas as suspeitas e acusações por parte dos partidos da oposição deixaram Rita Barberá sozinha dentro da sua família política, o PP. Abandonou o grupo do PP no Senado e aderiu ao Grupo Misto, na mesma Câmara, depois de ter sido novamente acusada de corrupção, no caso Taula. Vários dirigentes do PP foram detidos por branqueamento de capitais e financiamento ilegal do partido. Antes da sua morte, ainda militante do PP, Rita Barberá negou "absolutamente" a existência de contabilidade paralela no partido em Valência, admitindo apenas ter efetuado uma doação de mil euros para a campanha eleitoral dos populares.

Em Madrid

Ler mais

Exclusivos