"Christchurch call". A resposta de Ardern e Macron ao terrorismo online

Primeira-ministra da Nova Zelândia e presidente francês vão reunir-se em Paris. "Apelo por Christchurch" é o plano para combater a exposição de conteúdo extremamente violento e terrorista. E esta reunião "é apenas o início".

"Apelo por Christchurch". É este o plano pelo qual a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, e o presidente francês, Emmanuel Macron, se vão reunir em Paris já na próxima quarta-feira, com a companhia não só de líderes de todo o mundo como representantes de empresas como a Google, o Facebook, a Microsoft e o Twitter, para combaterem a exposição de "conteúdo extremamente violento e terrorista" na internet.

"As empresas detentoras das redes sociais são plataformas globais, portanto a nossa resposta deve ser global", afirmou Jacinda Ardern, primeira-ministra neozelandesa.

O projeto foi anunciado por Ardern como resposta ao ataque terrorista em Christchrurch, onde no dia 15 de março se viveu o pior assassinato em massa da história moderna da Nova Zelândia. 51 pessoas foram mortas e o ataque foi transmitido online enquanto decorria e correu a internet.

Brenton Tarrant, o alegado responsável, transmitiu as mortes em direto pela rede social Facebook, tendo o vídeo ficado disponível e a ser partilhado em outras redes sociais, como o Twitter e o YouTube, durante várias horas após o ataque. Só no Facebook o vídeo do massacre foi partilhado cerca de 1,5 milhões de vezes.

Ardern e Macron têm na próxima quarta-feira a oportunidade de se sentar à mesa com as empresas líderes globais da tecnologia, como o Facebook, a Google, a Microsoft e o Twitter. O seu plano não define "conteúdo extremista e violento", em vez disso o que pede é o compromisso das empresas de tecnologia para cumprirem os termos acordados e reavaliarem os "algoritmos que direcionam os utilizadores para conteúdo extremista".

Uma internet que permaneça "livre, aberta e acessível" é um dos principais valores a ser defendido e o seu pedido aos outros países e empresas de tecnologia é simples: "pararem a divulgação online de conteúdo extremamente violento e terrorista". "Por isso é que Paris vai ser apenas o início, vamos procurar mais países e mais empresas, para garantir que Christchurch nunca mais volte a acontecer." São as garantias de Jacinta Ardern.

"Não somos o primeiro país a sofrer um ataque assim, mas Christchurch foi único. Este foi um ataque terrorista projetado para se tornar viral." Disse Jacinda Ardern no vídeo que partilhou na sua rede social Facebook.

"Apelo por Christchurch", o plano consiste na aplicação de leis com o poder de proibir material censurável, segundo o New York Times, mas dando liberdade a cada país e empresa para decidirem como melhor honrar o compromisso.

A primeira-ministra neozelandesa falou no "sentido de responsável", não só de prevenir estes ataques de voltarem a acontecer, mas também de serem expostos na internet como o ataque de Christchurch foi. "E isso é o objetivo do apelo por Christchurch."

Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, Noruega, Irlanda, Jordânia, Senegal e Indonésia garantiram pretender assinar o compromisso da primeira-ministra neozelandesa. Mas destaca-se a ausência dos Estados Unidos, que indicaram que não.

Para além do plano do "apelo por Christchurch" a Nova Zelândia abriu ainda uma comissão para investigar os ataques em Christchurch. A investigação vai incidir nas atividades do suspeito, o seu uso das reses sociais e as suas ligações internacionais. "As descobertas da comissão vão ajudar-nos a garantir que um ataque como este nunca mais volte a acontecer aqui." Os resultados vão ser entregues ao governo em 10 de dezembro.

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