China está a construir campos de refugiados na fronteira com a Coreia do Norte

Pequim quer antecipar-se a um eventual colapso do regime de Pyongyang e estará a preparar pelo menos cinco centros de refugiados junto à fronteira

Pelo menos cinco campos de refugiados estarão a ser construídos pela China ao longo da fronteira de 1416 quilómetros com a Coreia do Norte, relata o The Guardian esta terça-feira. A notícia sobre a construção dos campos de refugiados tinha sido avançada inicialmente pelo Financial Times na semana passada, depois de ter vindo a público um documento interno da empresa estatal chinesa de telecomunicações que terá sido encarregada de instalar internet nos centros.

O documento da China Mobile circulou nas redes sociais e, ainda que a autenticidade dos planos não tenha sido confirmada, ao que tudo indica os cinco campos de refugiados estarão a ser construídos na província de Jilin, devido às "crescentes tensões do outro lado da fronteira". As localizações de três destes campos são referidas no texto da China Mobile: Changbai, Changbai Shibalidaogou e Changbai Jiguanlizi. O The New York Times refere que dois centros de refugiados estão igualmente planeados para as cidades de Tumen e Hunchun.

Em conferência de imprensa na segunda-feira, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês recusou confirmar a veracidade dos planos, mas não negou o projeto para os centros de refugiados. Escreve o Guardian que a construção destes campos reflete a preocupação crescente de Pequim com a instabilidade política ou mesmo com o potencial colapso do regime de Pyongyang. O jornal cita mesmo um especialista da Universidade de Pequim, que estuda a Coreia do Norte: segundo Cheng Xiaohe, seria "irresponsável" se a China não se preparasse para qualquer eventualidade perante as tensões na península coreana.

Jiro Ishimaru, realizador japonês de documentários que está em contacto com uma rede de jornalistas cidadãos que vivem na Coreia do Norte e ao longo da fronteira com a China, disse ao Guardian que nenhum dos seus contactos em Changbai testemunhou a construção dos campos de refugiados, mas que os planos para a construção dessas instalações são conhecidos na região.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.