China e EUA comprometem-se a não usar valor da moeda em guerra comercial

Taxas de juros e a autonomia das autoridades monetárias não vão ser utilizadas como "armas" nas relações comerciais entre os dois países.

O governador do Banco Popular da China, Yi Gang, assegurou este domingo que Pequim e Washington comprometeram-se a não utilizar a depreciação da moeda com objetivos concorrenciais, deixando que seja o mercado a determinar as taxas de juro.

Numa conferência de imprensa realizada em Pequim durante a Assembleia Nacional Popular (ANP), Yi Gang explicou que, na última ronda de negociações comerciais, as duas partes abordaram o tema das taxas de juro, a autonomia das autoridades monetárias e a necessidade de manter uma comunicação estreita sobre o mercado de divisas.

A este respeito, adiantou que foram conseguidos acordos sobre "muitas questões-chaves importantes", mas escusou-se a divulgar mais detalhes, noticia a agência Efe.

Também mostrou o compromisso da China de não utilizar o câmbio monetário como ferramenta para aumentar a produção ou resolver questões comerciais, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter acusado no ano passado Pequim e Moscovo de jogar "o jogo da depreciação monetária".

Sobre as negociações para encontrar una saída para a guerra comercial, o vice-ministro do comércio chinês, Wang Shouwen, também assegurou no sábado que as negociações estão a decorrer e mostrou-se "otimista" perante um possível pacto para pôr fim à imposição mútua de tarifas.

Perante os riscos e desafios atuais que enfrenta o gigante asiático, o Banco Popular da China também assegurou que manterá uma política "prudente" para guiar o crescimento razoável de crédito e financiamento em 2019, que incluirá um maior apoio para as pequenas empresas e para as privadas.

A política monetária da China, desenhada principalmente para adaptar-se à situação económica interna, também irá considerar os fatores globais e os setores orientados para a exportação, acrescentou.

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