China avisa Obama para não "começar um fogo" na Ásia

Pequim responde a fim do embargo americano à venda de armas ao Vietname. Ativistas impedidos de se reunir com presidente

Mal anunciou o fim do embargo à venda de armas ao Vietname, na segunda-feira, Barack Obama apressou-se logo a dizer que a medida nada tinha a ver com a China ou o desejo dos EUA de travarem o domínio crescente de Pequim sobre a região. Mas isso não impediu os responsáveis chineses de ontem, através do jornal oficial dos Partido Comunista, o China Daily, deixarem um aviso para que o presidente americano não comece "um fogo" na Ásia.

Ambos comunistas, China e Vietname podem ter a ideologia a uni-los mas não deixam de ser inimigos históricos, que em 1979 se envolveram na última guerra. Hoje ambos disputam a soberania de grande número de pequenas ilhas no Mar do Sul da China. E Pequim vê na decisão dos EUA uma ingerência na região para "travar a ascensão da China", podia ler-se no editorial do jornal.

Também o Global Times, um tabloide nacionalista próximo do PC chinês, criticou o governo americano por estar a "exacerbar o antagonismo estratégico entre Washington e Pequim". O jornal garante que os EUA estão a tecer três teias em torno da China: a teia ideológica, a teia da segurança e a teia económica, procurando garantir a sua influência na região.

Shi Yinhong, um professor da universidade Renmin da China, citado pelo Washington Post, garante que Pequim não vai responder de forma "irrefletida" ao fim do embargo, mas sublinha que vai continuar a reforçar o seu poder no Mar do Sul da China.

Multidões e recados

No segundo dia da sua visita ao Vietname, Obama teve ontem direito a um banho de multidão. Centenas de milhares de pessoas juntaram-se nas ruas de Ho Chi Minh (antiga Saigão), para onde seguiu depois do primeiro dia em Hanói, gritando "Obama! Obama!" e empunhando cartazes onde se lia "Obama, adoramos-te!"

Saudando a crescente cooperação económica entre EUA e Vietname, Obama manteve ontem um encontro com jovens empresários, aos quais explicou os benefícios da Parceria Transpacífico, um acordo de comércio livre entre 12 países.

Depois de uma visita a um pagode, Obama deslocou-se até à Dreamplex, um espaço de co-working onde criticou o facto de vários ativistas terem sido impedidos de se encontrar com ele. Apesar de algumas reformas legais "modestas" no Vietname, ainda "há zonas de preocupação em termos de liberdade de expressão, liberdade de reunião e responsabilidade para com o governo", afirmou o presidente americano.

Antes disso, Nguyen Quang A, um conhecido intelectual vietnamita explicou à Reuters ter sido levado de casa por 10 polícias e colocado num carro que o conduziu para fora da cidade quase até à hora da partida de Obama. Também o advogado e opositor ao regime Ha Huy Son garantiu ter sido impedido de se deslocar até ao local onde estava Obama. A Human Rights Watch denunciou por seu lado que um jornalista crítico do governo que procurava juntar-se a um encontro com o presidente dos EUA foi detido antes de lá chegar. Antes de sair de casa, Quang A. postou uma fotografia no Facebook a vestir-se, com a mensagem: "Antes de ir. Talvez intercetado, detido. Fica o aviso para que se saiba".

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