China anuncia maior estação de comboios de alta velocidade do mundo junto à Grande Muralha

A estação vai ter uma superfície equivalente a cinco campos de futebol

A China vai construir junto a uma das mais conhecidas secções da Grande Muralha a maior estação de comboios de alta velocidade do mundo, com 36.000 metros quadrados, informou hoje o jornal oficial China Daily.

Segundo Chen Bin, diretor do projeto, a estação que será construída em Badaling, a cerca de 50 quilómetros de Pequim, e onde fica a secção mais visitada da Grande Muralha, vai ter uma superfície equivalente a cinco campos de futebol.

A estação, construída 102 metros abaixo da superfície, será também a mais profunda do mundo, escreve o China Daily.

Além de facilitar o acesso a um dos monumentos mais emblemáticos da China, a estação fará parte da linha de alta velocidade que vai ligar Pequim a Zhangjiakou, tendo em vista os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.

As provas de gelo vão realizar-se na capital chinesa, enquanto Zhangjiaou acolherá a competição de esqui de fundo.

Segundo o China Daily, a construção da estação de Badaling vai requerer o uso de técnicas avançadas, de forma a evitar que as obras danifiquem a Grande Muralha, monumento classificado como Património Mundial pela UNESCO (o organismo das Nações Unidas para a Educação e Cultura).

A rede chinesa de alta velocidade ferroviária atingiu este ano os 19.000 quilómetros - mais do que todos os outros países juntos.

A primeira linha - um troço de 120 quilómetros entre Pequim e Tianjin - começou a funcionar em 2008, quando a capital chinesa organizou os Jogos Olímpicos.

O Governo chinês prevê que, em menos de dez anos, a rede de alta velocidade do país atinja os 38.000 quilómetros - quase o equivalente à circunferência da Terra, medida pela linha do Equador.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.